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Tia Má critica a busca por status no Candomblé e defende respeito às tradições

Redação Blé NewsRedação Blé News
21 de junho de 2026 às 20:40· Atualizado em 21/06/2026 às 20:46

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Maíra Azevedo no programa Elas em Cena
Maíra Azevedo no programa Elas em CenaReprodução/YouTube/Elas em Cena

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Durante participação no programa Elas em Cena, jornalista defende respeito às tradições e critica quem se aproxima da religião apenas pela visibilidade.

A jornalista, escritora e comunicadora Maíra Azevedo, conhecida nacionalmente como Tia Má, chamou atenção ao afirmar que parte das pessoas que se aproxima do Candomblé busca mais reconhecimento social do que compromisso com a religião. A declaração foi feita durante participação no programa Elas em Cena, exibido na última quarta-feira (17) pelo Bahia Notícias e apresentado pelas irmãs Gabi, Nanda e Dani Brito. Ao comentar o crescimento da presença do Candomblé nas redes sociais e na mídia, Tia Má afirmou que existe um movimento de pessoas que desejam "participar sem ser", motivadas pelo status e pela visibilidade. Para ela, o fenômeno exige uma reflexão sobre respeito, ancestralidade, identidade e combate ao racismo religioso.

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Além da atuação como jornalista, escritora e comunicadora, Maíra Azevedo é iniciada para o orixá Oxum e integra o Ilé Òsùmàrè Aràká Àṣẹ Ògòdó, conhecido como Casa de Òsùmàrè, em Salvador (BA). Considerado um dos mais antigos e tradicionais terreiros de Candomblé da Bahia, o Ilé tem papel fundamental na preservação e difusão da cultura africana e das religiões de matriz africana no Brasil. Sua trajetória religiosa também confere maior contexto às reflexões apresentadas durante a entrevista.

Durante a conversa, Maíra afirmou que o aumento da visibilidade das religiões de matriz africana representa uma conquista importante diante de décadas de perseguição e intolerância.

Entretanto, ela alertou que essa popularização também trouxe comportamentos que merecem atenção.

A jornalista Maíra Azevedo com os filhos na Casa de Oxumaré — Foto: Reprodução/Redes Sociais/Maiana Belo/G1

Segundo a jornalista, algumas pessoas passam a utilizar símbolos, discursos e elementos religiosos sem compreender seus fundamentos ou sua importância espiritual.

Na avaliação de Tia Má, esse movimento cria uma falsa sensação de pertencimento e transforma uma tradição ancestral em elemento de exposição pública.

"Muitas pessoas querem participar sem ser, apenas pelo status."

A frase rapidamente repercutiu nas redes sociais e abriu espaço para um debate sobre pertencimento, respeito e responsabilidade.

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A comunicadora destacou que falar sobre o Candomblé nunca foi tão comum quanto atualmente.

Artistas, influenciadores e personalidades passaram a abordar a religião de forma mais aberta, contribuindo para reduzir preconceitos históricos.

Ao mesmo tempo, ela observa que essa visibilidade também desperta interesse de pessoas que enxergam apenas o retorno de imagem proporcionado pela religião.

Para Tia Má, existe uma diferença importante entre conhecer, respeitar e efetivamente viver uma tradição religiosa.

Ela defende que a aproximação com qualquer religião deve acontecer por convicção e entendimento de seus princípios, e não como estratégia para ampliar alcance nas redes sociais.

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Outro ponto levantado durante o programa foi a usurpação cultural.

Maíra comparou a situação vivida pelo Candomblé com processos semelhantes ocorridos em manifestações culturais como o rock, o jazz e até mesmo a música gospel.

Segundo ela, muitas expressões criadas por grupos historicamente marginalizados acabam sendo apropriadas por outros setores da sociedade, que passam a lucrar ou conquistar visibilidade enquanto os criadores originais permanecem invisibilizados.

Esse processo, afirma a jornalista, também pode ocorrer quando elementos religiosos são utilizados sem compromisso com sua história.

Apesar dos avanços na representação das religiões afro-brasileiras na mídia, Tia Má lembrou que o racismo religioso permanece presente no cotidiano.

Terreiros ainda enfrentam episódios de discriminação, ataques e intolerância em diversas regiões do país.

Nesse contexto, ela considera importante diferenciar quem busca conhecimento de quem apenas utiliza a religião como instrumento de autopromoção.

Segundo a comunicadora, reconhecer a ancestralidade, compreender os fundamentos e respeitar os espaços religiosos são atitudes fundamentais para fortalecer o combate ao preconceito.

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Reflexão sobre respeito e ancestralidade

A participação de Tia Má no Elas em Cena propõe uma reflexão que vai além das religiões de matriz africana.

O debate convida o público a pensar sobre pertencimento, identidade, respeito às tradições e responsabilidade na forma como temas religiosos são tratados nas redes sociais e na imprensa.

Mais do que discutir popularidade, a jornalista defende que o Candomblé seja compreendido em sua profundidade histórica, cultural e espiritual.

A repercussão das declarações demonstra que o assunto continua despertando diferentes opiniões, mas também evidencia a importância de ampliar o diálogo sobre intolerância religiosa, apropriação cultural e valorização das tradições afro-brasileiras.

O debate permanece aberto e reforça que conhecer uma religião exige mais do que reproduzir símbolos: exige respeito, escuta e compromisso com sua história.

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