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Umbanda e candomblé somam 1.626 adeptos no Acre, aponta IBGE

Redação Blé NewsRedação Blé News
01 de maio de 2026 às 16:29

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Umbanda no Acre: 1,6 mil adeptos, diz IBGE
Umbanda no Acre: 1,6 mil adeptos, diz IBGEReprodução/Canva

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Número representa só 0,24% da população. Rio Branco concentra a fé; veja ranking por cidade.

No Acre, 1.626 pessoas se declaram adeptas de religiões de matrizes africanas, como a umbanda e o candomblé. É o que revela o Censo 2022 do IBGE, divulgado na última quinta-feira (23). O número, que representa apenas 0,24% da população do estado, mostra uma realidade de fé concentrada: a capital, Rio Branco, reúne sozinha 1.279 fiéis – ou seja, 79 de cada 100 adeptos vivem na cidade. Mas por que esse número ainda é tão baixo? E o que ele diz sobre a diversidade religiosa acreana? A gente te explica.

Apesar do cenário nacional mostrar um aumento de pessoas que se declaram de religiões de matriz africana – o número triplicou no Brasil desde 2010, chegando a 1,05% da população – o Acre ainda caminha a passos mais lentos.

Com 1.626 seguidores, o estado aparece à frente apenas de Roraima (1.551) e Tocantins (1.762) na Região Norte. Em contrapartida, o Pará lidera com impressionantes 21.970 adeptos. Ou seja, a fé que pulsa forte em Belém ainda engatinha em Rio Branco.

A concentração é um dos pontos mais gritantes. Fora da capital, os números despencam:

  • Cruzeiro do Sul: 88 adeptos

  • Senador Guiomard: 88 adeptos

  • Outros municípios: Rio Branco (1.279), Sena Madureira (48), Feijó (28), Plácido de Castro (27), Tarauacá (10), Xapuri (9), Epitaciolândia (9), Brasiléia (8), Acrelândia (7), Bujari (6), Manoel Urbano (0), Porto Walter (0), Assis Brasil (0), Jordão (0), Capixaba (0) e Marechal Thaumaturgo (0).

Em seis cidades acreanas – Assis Brasil, Jordão, Porto Walter, Capixaba, Marechal Thaumaturgo e Manoel Urbano – o IBGE não registrou nenhum adepto de umbanda ou candomblé.

Perfil racial revela herança cultural

O cruzamento dos dados com cor ou raça no estado explica, em partes, a distribuição da fé. O IBGE mostra que a proporção de adeptos é maior entre pessoas pretas (0,42%) , seguidas por pardas (0,24%) e brancas (0,19%). Entre indígenas, o índice é de apenas 0,02%, e não houve registros entre pessoas amarelas.

Esse dado reforça a ligação histórica das religiões de matriz africana com a população negra, ao mesmo tempo que evidencia o desafio de expansão dessas crenças em outros grupos étnicos no Acre.

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O que explica o número baixo? Contexto nacional é chave

Por que no Acre o número é tão baixo (0,24%) enquanto no Brasil ele chegou a 1,05%?

O próprio IBGE sugere um caminho: subnotificação histórica. Durante décadas, o preconceito religioso fez com que muitos praticantes omitissem sua fé. O fato de o número nacional ter triplicado em 12 anos indica que as pessoas estão se sentindo mais seguras para declarar sua religiosidade.

No Acre, esse movimento pode ser mais lento devido a uma combinação de fatores: menor densidade populacional, forte predominância do cristianismo (44,38% são evangélicos e 38,93%, católicos) e, possivelmente, um ambiente social ainda hostil em cidades pequenas.

O levantamento escancara a realidade religiosa acreana. Enquanto a umbanda e o candomblé somam 0,24%:

  • Evangélicos: 303.599 pessoas (44,38%)

  • Católicos: 266.329 (38,93%)

  • Sem religião: 76.608 (11,2%)

  • Espiritismo: 3.791 (0,55%)

  • Tradições Indígenas: 3.188 (0,47%)

Ou seja, para cada pessoa de matriz africana, existem 186 cristãos no estado.

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