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Umbandistas denunciam agressões em rituais religiosos na Bahia

Redação Blé NewsRedação Blé News
30 de maio de 2026 às 02:09· Atualizado em 30/05/2026 às 02:25

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Pai de santo é investigado por queimaduras em rituais na Bahia
Pai de santo é investigado por queimaduras em rituais na BahiaReprodução/g1

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Quatro vítimas denunciaram queimaduras com ferro quente e charutos durante rituais em Araci; polícia investiga o caso.

Quatro umbandistas denunciaram o pai de santo Luiz Nascimento dos Santos, conhecido como “Luiz Curador”, por supostas agressões físicas durante rituais religiosos em Araci, município localizado a 107 km de Feira de Santana, na Bahia. Segundo relatos das vítimas, elas sofreram queimaduras com ferro quente e charutos durante cerimônias dentro do Terreiro de Oxóssi. O caso veio à tona após denúncias registradas em 30 de abril e passou a ser investigado pela Delegacia Territorial de Araci como lesão corporal dolosa.

As vítimas afirmam que os procedimentos eram apresentados como formas de “proteção espiritual” e preparação para funções religiosas dentro da umbanda e do candomblé. Além das queimaduras, os denunciantes relataram períodos de confinamento em quartos escuros, sem acesso adequado à higiene básica. Exames periciais de lesão corporal foram realizados na cidade de Serrinha. Até o momento, a defesa do religioso não foi localizada.

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De acordo com os depoimentos, as agressões aconteciam durante rituais espirituais conduzidos pelo líder religioso. Uma das vítimas contou que acreditava que as práticas eram necessárias para se tornar babalorixá.

Ele falou que era preciso para se tornar um babalorixá. Tinha que ser marcado”, relatou o homem, que afirmou ter permanecido recolhido por três dias e meio antes de sofrer a queimadura com ferro em brasa.

Segundo o denunciante, o objeto utilizado parecia um “raio de moto” aquecido. Após o procedimento, ele disse ter sido orientado a não utilizar medicamentos ou qualquer tipo de pomada.

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O homem também revelou que as marcas físicas provocaram impactos emocionais profundos nele e na família.

Eu vejo vários babalorixás e ninguém tem essa marca de ferro”, afirmou.

Outra vítima relatou ter sido queimada com um charuto durante uma suposta oferenda relacionada a Ogum.

Bahia: denúncias expõem rituais com ferro quente em terreiro — Foto: Reprodução/g1

Federação de Umbanda repudia práticas denunciadas

A Federação de Umbanda e Cultos Afro da Região de Serrinha (Fucabase) acompanha o caso e repudiou as práticas descritas pelas vítimas.

Segundo o presidente da entidade, Michel Barreto, queimaduras com ferro quente não fazem parte das tradições das religiões de matriz africana.

Barreto afirmou que práticas violentas lembram períodos históricos de escravidão e não possuem relação com fundamentos religiosos legítimos.

A essência da religião é o cuidado espiritual e físico das pessoas”, destacou o secretário da Fucabase, Anailton Pereira.

A entidade informou ainda que pretende solicitar o afastamento do religioso enquanto as investigações acontecem.

A Associação Brasileira de Preservação da Cultura Afro-Ameríndia (AFA) também condenou os supostos rituais. O presidente da associação, Leonel Monteiro, declarou que atos que causam sofrimento físico não fazem parte dos cultos afro-indígenas religiosos.

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Vítimas relatam confinamento e falta de higiene

Além das queimaduras, algumas vítimas afirmaram ter sido mantidas em quartos fechados durante dias.

Segundo os relatos, o acesso ao banho era extremamente limitado e necessidades fisiológicas precisavam ser feitas em baldes dentro do espaço de recolhimento.

Uma das vítimas contou que dormia em esteiras improvisadas com folhas espalhadas pelo chão.

As denúncias também incluem relatos de privação de higiene básica e isolamento prolongado, fatores que agora fazem parte das investigações conduzidas pela Polícia Civil da Bahia.

Terreiro de Oxóssi nega acusações

Em nota divulgada nas redes sociais, filhos e filhas de santo do Terreiro de Oxóssi negaram todas as acusações.

O grupo afirmou que ninguém foi obrigado a participar de qualquer prática contra a própria vontade e classificou as denúncias como “infundadas”.

Segundo a manifestação, diferentes terreiros possuem fundamentos próprios dentro das religiões de matriz africana e o caso seria resultado de perseguição religiosa.

A nota também informa que medidas judiciais estão sendo tomadas para preservar a imagem do terreiro e do pai de santo investigado.

Polícia Civil investiga o caso em Araci

A Delegacia Territorial de Araci instaurou inquérito para apurar os fatos. De acordo com a Polícia Civil, testemunhas seguem sendo ouvidas e diligências continuam em andamento.

A federação religiosa ressaltou que práticas de queimaduras podem ser enquadradas como tortura ou lesão corporal grave, principalmente quando deixam marcas permanentes nas vítimas.

O caso provocou forte repercussão nas redes sociais e reacendeu debates sobre intolerância religiosa, abuso de autoridade espiritual e os limites entre fé e violência.

Com informações do g1

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