Amado Batista e BYD entram na “lista suja” do trabalho escravo do Ministério do Trabalho

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Cadastro do MTE chega a 613 nomes após inclusão de 169 novos empregadores; montadora chinesa e cantor foram autuados por condições análogas à escravidão.
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) atualizou nesta terça-feira (7) o Cadastro de Empregadores que tenham submetido trabalhadores a condições análogas à escravidão — conhecido nacionalmente como “lista suja do trabalho escravo” — e incluiu 169 novos nomes. Com isso, o cadastro passou a reunir 613 empregadores, alta de 6,28% em relação à última atualização.
Entre os incluídos na nova relação estão a montadora chinesa BYD e o cantor e empresário do agronegócio Amado Batista, ambos autuados após fiscalizações que identificaram condições degradantes de trabalho.
A montadora chinesa BYD, que inaugurou sua primeira fábrica no Brasil em outubro de 2025 no antigo complexo da Ford em Camaçari (BA), foi incluída na lista após uma série de fiscalizações realizadas entre dezembro de 2024 e maio de 2025.
De acordo com a Superintendência Regional do Trabalho na Bahia (SRTE/BA), 471 trabalhadores chineses foram trazidos de forma irregular ao país. Desses, 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão.
Imagens mostram condições de trabalho em obra da BYD na Bahia — Foto: Reprodução/g1
Relatórios apontam condições degradantes e jornada exaustiva
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Condições degradantes: Trabalhadores dormiam em camas sem colchões, sem armários, e mantinham alimentos misturados a ferramentas. Em um dos alojamentos, havia apenas um banheiro para cada 31 pessoas.
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Jornada exaustiva: Mínimo de 10 horas diárias, sem folgas regulares. Um trabalhador acidentado relatou estar há 25 dias sem descanso.
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Restrição de locomoção: Os operários precisavam de autorização até para ir ao mercado.
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Fraude migratória: A BYD teria promovido irregularidades para viabilizar a entrada dos estrangeiros sem o devido registro.
A fiscalização também embargou escavações profundas e interditou parcialmente um alojamento e uma serra circular por falta de proteção. Além disso, os fiscais apontaram restrições de locomoção, com necessidade de autorização até para ir ao mercado.
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Apesar de a BYD ter apresentado contratos com terceirizadas, os auditores concluíram que os trabalhadores estavam subordinados diretamente à montadora, caracterizando vínculo de emprego conforme a CLT.
Em janeiro deste ano, a BYD fechou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o MPT no valor de R$ 40 milhões.
Amado Batista: jornada exaustiva e alojamentos precários no agro que ocorreram no Sítio Esperança e no Sítio Recanto da Mata — Foto: Reprodução/g1
Amado Batista: jornada exaustiva e alojamentos precários no agro
O cantor e empresário do ramo do agronegócio também teve o nome incluído na lista após fiscalizações realizadas em 2024. As autuações ocorreram no Sítio Esperança e no Sítio Recanto da Mata, onde foram encontrados 10 e 4 trabalhadores, respectivamente, em condições análogas à escravidão.
Segundo o MTE, havia jornadas exaustivas e alojamentos precários nas propriedades.
Procurada, a assessoria do artista informou que, após a fiscalização, foi assinado um TAC com o MPT e que as obrigações trabalhistas já foram quitadas.
O que é a “lista suja” do trabalho escravo
Criado em 2004, o Cadastro de Empregadores flagrados explorando trabalho análogo à escravidão é atualizado semestralmente pelo MTE, sempre em abril e outubro.
A lista tem como objetivo dar transparência às ações de combate ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil e serve como referência para bancos, investidores e empresas em análises de risco e compliance.
Com informações da Agência Brasil
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