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Amelinha Teles morre aos 81 anos e deixa legado de luta pelos direitos humanos

Redação Blé NewsRedação Blé News
15 de setembro de 2026 às 19:10

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Amelinha Teles morre aos 81 anos, símbolo da resistência
Amelinha Teles morre aos 81 anos, símbolo da resistênciaLayane Santos/Elas Fotografando

Torturada durante a ditadura, ativista dedicou décadas à defesa da democracia e dos direitos das mulheres.

A jornalista, escritora, ativista política e feminista Maria Amélia de Almeida Teles, conhecida como Amelinha Teles, morreu nesta terça-feira (15), aos 81 anos. Presa em 28 de dezembro de 1972, durante a ditadura militar brasileira, ela foi levada à Operação Bandeirantes (Oban), em São Paulo, onde sofreu sessões de tortura. Ao longo das décadas seguintes, transformou a experiência da repressão em uma trajetória de defesa dos direitos humanos, da democracia e dos direitos das mulheres. Amelinha também teve participação importante na formação de mulheres por meio do projeto Promotoras Legais Populares e na luta que contribuiu para ampliar o acesso das mulheres à Justiça. A causa da morte não foi divulgada.

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Amelinha Teles e a marca da ditadura

A história de Amelinha Teles ficou diretamente ligada à repressão política promovida pela ditadura militar. Em dezembro de 1972, ela foi presa e conduzida à Oban, estrutura que posteriormente integrou o aparato do DOI-Codi de São Paulo.

Segundo relatos históricos e registros sobre sua trajetória, Amelinha foi submetida a torturas físicas e psicológicas. Seu marido, César Augusto Teles, e o militante Carlos Nicolau Danielli também foram presos. Amelinha testemunhou o assassinato de Danielli durante o período de repressão.

Um dos episódios mais dolorosos de sua prisão envolveu seus filhos, Edson e Janaína, que tinham apenas 4 e 5 anos de idade. As crianças foram levadas ao local de repressão e acabaram presenciando a violência sofrida pelos pais.

A violência sofrida, porém, não encerrou sua atuação política. Pelo contrário: tornou-se parte da memória que Amelinha passou a defender durante toda a vida.

Em diferentes momentos, ela insistiu que o Brasil precisava enfrentar seu passado para compreender as ameaças autoritárias do presente.

Nós temos que enfrentar o passado, sim, porque o presente está sendo ameaçado o tempo todo com os fantasmas do passado.

A declaração sintetiza uma das principais bandeiras de sua trajetória: preservar a memória das violações cometidas durante a ditadura para evitar que elas sejam apagadas ou relativizadas.

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Amelinha Teles na luta pelos direitos das mulheres

A atuação de Amelinha Teles não ficou restrita à denúncia dos crimes da ditadura. A feminista construiu uma trajetória diretamente ligada à defesa dos direitos das mulheres e à formação política feminina.

Em 1981, ajudou a fundar a União de Mulheres de São Paulo e posteriormente coordenou o projeto Promotoras Legais Populares, iniciativa voltada à formação de mulheres sobre direitos e mecanismos de acesso à Justiça.

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Feminismo, democracia e Lei Maria da Penha

Seu trabalho de formação e organização de mulheres esteve inserido em uma mobilização mais ampla que ajudou a fortalecer a agenda brasileira de enfrentamento à violência contra as mulheres.

Amelinha também teve atuação relacionada à efetivação de políticas de proteção e acesso à Justiça que ganharam força nas décadas seguintes, incluindo a luta que contribuiu para a implantação da Lei Maria da Penha.

Mais do que ocupar espaços institucionais, sua atuação buscava fazer com que mulheres conhecessem seus direitos e tivessem condições de reivindicá-los.

Esse trabalho aproximou feminismo, direitos humanos e democracia de mulheres que historicamente tiveram pouco acesso à informação jurídica.

Memória, verdade e justiça

A defesa da memória foi outra marca importante da trajetória de Amelinha.

Ela integrou a Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e atuou como assessora da Comissão Estadual da Verdade de São Paulo. Também participou de iniciativas de pesquisa relacionadas à responsabilidade de empresas por violações de direitos humanos cometidas durante a ditadura.

Em 2026, Amelinha continuava participando de debates sobre memória e repressão. Em setembro, esteve relacionada à programação do Centro MariAntonia, da Universidade de São Paulo (USP), em atividades sobre a Vala Clandestina de Perus e a preservação da memória da ditadura.

Sua presença nesses espaços mostrava que, mesmo décadas depois da redemocratização, ela continuava tratando a memória como uma questão do presente.

Para Amelinha, lembrar não significava permanecer preso ao passado. Era uma maneira de compreender como a violência do Estado pode deixar marcas duradouras na sociedade.

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Uma vida transformada em luta

Amelinha Teles também deixou uma produção intelectual relacionada ao feminismo, à violência contra a mulher e aos direitos humanos. Entre seus trabalhos estão livros como "Breve História do Feminismo no Brasil, O que é Violência contra a Mulher?" e O que são os "Direitos Humanos das Mulheres?".

Amelinha Teles morre aos 81 anos e deixa legado históricoAmelinha Teles deixa legado histórico — Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Sua história também ganhou espaço em produções jornalísticas e documentais sobre a ditadura. Ela foi entrevistada pelo podcast "Perdas e Danos", da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que investigou consequências e interesses relacionados ao regime iniciado em 1964.

Em uma dessas reflexões, Amelinha chamou atenção para o impacto coletivo provocado pela perda de pessoas envolvidas na construção democrática.

A ideia acompanhou sua trajetória: a democracia não seria uma conquista definitiva, mas uma construção permanente que depende da participação de diferentes gerações.

O legado de Amelinha Teles

A morte de Amelinha Teles encerra uma trajetória de mais de cinco décadas marcada pela resistência à ditadura, pelo feminismo e pela defesa dos direitos humanos.

Sua história atravessa diferentes momentos do Brasil: a repressão dos anos 1970, a reorganização dos movimentos sociais, a redemocratização e a luta pela preservação da memória das vítimas do regime militar.

Nesta terça-feira, organizações e companheiros de militância prestaram homenagens à ativista. O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) destacou sua atuação na defesa da democracia, da memória, da verdade e dos direitos das mulheres.

O velório está previsto para esta quarta-feira (16), das 12h às 17h, no Cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.

Amelinha deixa uma trajetória que ultrapassa a própria biografia. Sua história permanece ligada à memória de um período em que o Estado perseguiu, prendeu e torturou opositores políticos — e à luta de mulheres que transformaram experiências de violência e silenciamento em organização, denúncia e defesa de direitos.

Com informações da Agência Brasil

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