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Justiça

André Mendonça expõe proposta de delação e dispara: 'Perderam o pudor'

Redação Blé NewsRedação Blé News
17 de junho de 2026 às 05:50

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André Mendonça revela proposta de 'delação seletiva' no caso Master
André Mendonça revela proposta de 'delação seletiva' no caso MasterRosinei Coutinho/STF

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Ministro afirmou que recusou proposta feita por um advogado durante discussões sobre o caso Master e criticou o uso de uma suposta "delação seletiva".

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, afirmou nesta terça-feira (16), durante o julgamento das prisões preventivas relacionadas ao caso Master, que recebeu de um advogado uma proposta para realizar uma "delação seletiva". Sem revelar a identidade do responsável pela abordagem, o magistrado disse ter recusado imediatamente a sugestão e criticou a iniciativa ao afirmar que "perderam o pudor". A declaração ocorreu durante debate sobre a validade das delações premiadas e surgiu enquanto os ministros analisavam recursos envolvendo familiares do banqueiro Daniel Vorcaro.

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Durante a sessão do STF, André Mendonça surpreendeu ao revelar que foi procurado por um advogado que lhe apresentou a possibilidade de uma chamada "delação seletiva". Segundo o ministro, a proposta foi rejeitada imediatamente.

Ao comentar o episódio, Mendonça afirmou que a conversa aconteceu diretamente com ele e classificou a abordagem como inadequada.

"Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Eu disse que comigo isso não", disse o ministro.

A declaração foi feita enquanto o ministro respondia às observações do ministro Gilmar Mendes, que havia criticado o uso das delações premiadas durante seu voto sobre o caso.

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Segundo Mendonça, o advogado responsável pela proposta também apresentou uma cópia da primeira tentativa de acordo de delação envolvendo Daniel Vorcaro.

No entanto, o ministro afirmou que sequer analisou o documento.

A justificativa foi que o caso ainda não estava sob sua responsabilidade processual, motivo pelo qual considerou inadequado tomar conhecimento do conteúdo.

Além disso, fez questão de esclarecer que o advogado mencionado não era José Luís de Oliveira Lima, conhecido como Juca, criminalista que iniciou as negociações da colaboração premiada, mas posteriormente deixou a defesa após a primeira proposta ser rejeitada.

Não é o advogado que deixou o caso, o Juca, mas me chegou uma proposta por um advogado... perderam o pudor, ministro Gilmar", afirmou Mendonça.

O que significa uma delação seletiva?

Embora a expressão não exista formalmente na legislação brasileira, ela costuma ser utilizada para indicar uma colaboração em que determinadas informações seriam apresentadas enquanto outras permaneceriam ocultadas ou direcionadas conforme interesses específicos.

Na prática, acordos de colaboração premiada exigem que o investigado apresente informações verdadeiras, completas e úteis para as investigações.

Qualquer tentativa de restringir ou manipular os fatos pode comprometer a validade do acordo perante as autoridades.

Caso Master continua gerando debates no STF

O episódio ocorreu durante o julgamento que analisa as prisões preventivas de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, além de outros investigados ligados ao caso Master.

Na mesma sessão, Gilmar Mendes voltou a demonstrar preocupação com o uso excessivo da colaboração premiada como instrumento de investigação.

O debate evidenciou diferentes visões dentro do Supremo sobre os limites e a condução desse tipo de acordo, principalmente em investigações de grande repercussão.

Enquanto isso, a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal já haviam rejeitado propostas anteriores de colaboração apresentadas pela defesa de Daniel Vorcaro.

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Próximos passos da investigação

O julgamento segue analisando recursos relacionados às medidas cautelares impostas aos investigados.

As declarações de André Mendonça, embora não alterem diretamente o mérito do processo, aumentam a repercussão do caso ao levantar questionamentos sobre tentativas de negociação envolvendo delações premiadas.

Especialistas avaliam que a fala do ministro pode reforçar o debate sobre a necessidade de maior rigor na condução de acordos de colaboração, especialmente quando envolvem investigações complexas e de grande impacto econômico.

Enquanto o STF continua examinando o processo, a expectativa é que novos desdobramentos ocorram nas próximas sessões, principalmente após a rejeição das propostas de delação pela PGR e pela Polícia Federal.

"Perderam o pudor. Queriam fazer uma delação seletiva. Comigo não." — André Mendonça

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