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Cláudio Castro é citado em relatório da PF sobre a Refit

Redação Blé NewsRedação Blé News
05 de setembro de 2026 às 05:00

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Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro
Cláudio Castro, ex-governador do Rio de JaneiroTânia Rêgo/Agência Brasil
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Relatório cita caviar, imóveis e adega de R$ 245 mil; ex-governador nega ter recebido vantagens ou favorecido a empresa.

A Polícia Federal (PF) apontou, em relatório da segunda fase da Operação Sem Refino, que o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro teria recebido vantagens indevidas em troca de uma suposta atuação de órgãos estaduais em favor da refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Entre os benefícios mencionados pelos investigadores estão R$ 10,5 mil em caviar, o pagamento de aluguel de uma residência na Barra da Tijuca e o usufruto de uma mansão em Petrópolis, onde teria sido construída uma adega personalizada avaliada em R$ 245 mil. O relatório teve o sigilo levantado na quinta-feira (3) pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Castro nega as acusações e afirma que não participou de esquema de lavagem de dinheiro ou recebeu vantagens indevidas.

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O documento serviu de base para Moraes autorizar 16 mandados de busca e apreensão solicitados pela PF para aprofundar as investigações.

A segunda fase da Operação Sem Refino foi deflagrada em 14 de agosto e apura suspeitas relacionadas à concessão de licenças ambientais para a refinaria.

Segundo a PF, as licenças teriam sido concedidas à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes. A investigação também apura suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e atuação de uma organização criminosa envolvendo empresários e agentes públicos.

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Cláudio Castro e as supostas vantagens investigadas

De acordo com o relatório policial, o esquema investigado teria utilizado empresas e pessoas apontadas como “laranjas” para registrar bens e realizar pagamentos relacionados a despesas pessoais de Castro.

Os investigadores sustentam que, em contrapartida, o então governador teria atuado em favor dos interesses do empresário Ricardo Magro, apontado pela PF como líder da organização criminosa investigada.

Empresario Ricardo Magro e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL)Empresario Ricardo Magro e o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) — Foto: Reprodução

Mensagens extraídas de celulares apreendidos também fazem parte do material analisado pela corporação.

Segundo os investigadores, as conversas indicariam que Castro mantinha contato direto com pessoas responsáveis por processos de licenciamento ambiental.

A PF afirma que essas comunicações teriam como objetivo acelerar liberações de empreendimentos e prejudicar interesses de empresas concorrentes de Magro.

Alexandre de Moraes já determinou a prisão preventiva do empresário. Magro, porém, está foragido e foi incluído na lista de difusão vermelha da Interpol.

As vantagens citadas pela investigação

Entre os episódios descritos no relatório estão despesas com produtos de luxo, imóveis e uma propriedade em Petrópolis.

A PF afirma que esses benefícios teriam sido utilizados como forma de compensação por supostos favorecimentos relacionados a interesses empresariais.

Um dos casos envolve uma degustação de caviar realizada durante uma hospedagem de Castro no Hotel Emiliano, em São Paulo.

Segundo o relatório, o ex-governador teria escolhido diferentes gramaturas do produto, em uma encomenda que chegou ao valor de R$ 10,5 mil.

O pagamento, entretanto, teria sido realizado pela empresa AC Santos Participações e Empreendimentos, pertencente ao advogado Antonio Carlos da Conceição Santos.

Conhecido como “Pipo”, o advogado é apontado pelos investigadores como um dos principais articuladores do esquema de lavagem e ocultação de patrimônio ligado ao grupo investigado.

A PF afirma que o episódio seria um dos indícios de que despesas pessoais de Castro teriam sido custeadas por terceiros.

Mansão em Petrópolis e adega de R$ 245 mil

Outro ponto destacado no relatório envolve uma mansão localizada em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.

Segundo os investigadores, o imóvel está registrado em nome da empresa Concrecasa Construções Inteligentes Ltda., mas Castro teria se comportado como proprietário da residência.

A PF afirma que o ex-governador determinava a rotina dos empregados e teria solicitado a construção de uma adega personalizada na propriedade.

O espaço teria sido avaliado em R$ 245 mil.

De acordo com a investigação, o usufruto da mansão seria uma forma de compensação relacionada ao suposto favorecimento da empresa Enge Prat Engenharia.

A companhia, segundo a PF, teria firmado contratos que somaram R$ 355 milhões com o governo do estado do Rio de Janeiro.

Os valores e a relação entre os contratos e os supostos benefícios fazem parte do conjunto de elementos analisados pela investigação.

A existência desses elementos no relatório, porém, não representa uma condenação. As suspeitas ainda são objeto de investigação e deverão ser submetidas ao devido processo legal.

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Aluguel na Barra da Tijuca também é investigado

Outro imóvel mencionado pela PF é a cobertura onde Cláudio Castro reside, na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.

Segundo os investigadores, o aluguel pago pelo ex-governador seria de aproximadamente R$ 10 mil mensais.

A PF afirma que o valor estaria abaixo do preço de mercado estimado para imóveis semelhantes na região, calculado pelos investigadores em cerca de R$ 25 mil.

O imóvel teria sido adquirido pela empresa J3 Real Estate Participações Ltda. por R$ 3,4 milhões.

Ainda segundo o relatório, a empresa havia sido criada apenas 50 dias antes da aquisição e tinha o apartamento como único imóvel registrado.

Para os investigadores, essas circunstâncias são consideradas elementos que precisam ser esclarecidos dentro da apuração sobre eventual ocultação patrimonial e pagamento de despesas pessoais.

A defesa de Castro, entretanto, apresenta outra versão para os imóveis.

Defesa de Cláudio Castro nega acusações

Em nota, a defesa do ex-governador negou qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento de terceiros.

Sobre a residência na Barra da Tijuca, os advogados afirmam que existe um contrato regular de locação e que os pagamentos podem ser comprovados.

Em relação ao imóvel de Petrópolis, a defesa afirma que também se tratava de uma propriedade alugada e que o contrato já foi encerrado.

A defesa também contesta a interpretação dada pela PF ao episódio envolvendo o caviar.

Segundo os advogados, o episódio ocorreu mais de 30 dias depois de Castro deixar o governo estadual.

A versão apresentada é que a encomenda havia sido feita por um amigo e que Castro apenas retirou os produtos em São Paulo para entregá-los.

A defesa afirma ainda que ele teria consumido apenas um dos produtos, com autorização do comprador.

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O que diz a defesa sobre a Refit

Os advogados também negam qualquer relação entre os episódios envolvendo imóveis e caviar e a refinaria Refit.

Segundo a defesa, os contatos mantidos com representantes da empresa foram institucionais e não resultaram em benefícios pessoais para Castro.

A defesa afirma ainda que, durante a gestão do ex-governador, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa.

Outro ponto contestado é uma viagem de Castro a Nova York.

A PF teria levantado a possibilidade de que a viagem tivesse sido custeada pela Refit. A defesa nega e afirma que a viagem foi oficial, paga pelo governo estadual e registrada no Portal da Transparência.

Os advogados também informaram que já solicitaram a Alexandre de Moraes que Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer os pontos da investigação e apresentar documentos.

O pedido ainda aguarda decisão.

Investigação ainda está em andamento

A Operação Sem Refino busca esclarecer uma possível estrutura envolvendo empresários, agentes públicos, licenças ambientais e movimentações financeiras.

Nesta segunda fase, a PF investiga especificamente suspeitas de favorecimento, lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial relacionadas ao grupo que teria atuação no estado do Rio.

O relatório policial apresentado ao STF reúne mensagens, movimentações e informações sobre empresas e imóveis que, segundo os investigadores, podem ajudar a esclarecer como funcionaria o suposto esquema.

A autorização de 16 mandados de busca e apreensão representa mais uma etapa da investigação.

Até o momento, as acusações contra Cláudio Castro permanecem no campo investigativo. O ex-governador nega as irregularidades e afirma estar disposto a prestar esclarecimentos e apresentar documentação à Polícia Federal.

Com informações da Agência Brasil

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