Entre Investimentos recebeu dinheiro do crime, diz Durigan

Empresa ligada ao financiamento de Dark Horse foi alvo de operação que investiga recursos do crime organizado e do Banco Master.
A Entre Investimentos, empresa controlada pelo empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, recebeu recursos que, segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tinham origem tanto no Banco Master quanto no crime organizado. A declaração foi dada nesta quinta-feira (24), após uma nova fase da investigação sobre um esquema envolvendo o setor de combustíveis e estruturas financeiras. A empresa também aparece nas apurações relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta quinta, a Entre foi alvo de medidas da Operação Crédito Oculto, desdobramento da Operação Carbono Oculto, conduzida por órgãos como Ministério Público de São Paulo e Receita Federal. A investigação busca esclarecer como recursos teriam circulado por empresas e fundos para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
![]() |
Entre Investimentos entra no centro da investigação
A declaração de Dario Durigan colocou a Entre Investimentos no centro de uma conexão que envolve três frentes que já vinham sendo investigadas separadamente: o caso do Banco Master, as apurações sobre o setor de combustíveis e o financiamento de Dark Horse.
Segundo o ministro, a empresa teria recebido dinheiro de diferentes origens e concentrado esses recursos dentro de uma mesma estrutura empresarial.
“Estamos falando da administradora de um grupo empresarial, que é o Grupo Entre, que recebia dinheiro tanto do Master quanto do crime organizado”, afirmou Durigan a jornalistas em Brasília.
O ministro também afirmou que os recursos teriam sido utilizados em operações relacionadas à ocultação de patrimônio, lavagem de dinheiro e corrupção. Essas afirmações fazem parte do contexto das investigações em andamento e não representam, por si só, uma conclusão judicial definitiva sobre todos os envolvidos.
📱> Entre no canal do Blé News no WhatsApp
Quem é Antônio Carlos Freixo Júnior
Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, é dono da Entre Investimentos e aparece nas investigações relacionadas ao Banco Master.
O empresário fechou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. O acordo foi homologado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, em setembro. Segundo reportagens sobre a delação, Freixo afirmou ter movimentado cerca de R$ 1,3 bilhão entre 2020 e 2025.
Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro” é dono da Entre Investimentos: o que liga Master ao Dark Horse. — Foto: Reprodução
O conteúdo da colaboração passou a ser utilizado nas investigações sobre o caso Master e também trouxe informações sobre movimentações financeiras relacionadas ao filme Dark Horse.
Entre Investimentos e o financiamento de Dark Horse
A relação com Dark Horse é um dos pontos que ampliaram a repercussão do caso.
A Entre Investimentos aparece como intermediária em repasses destinados ao Havengate Development Fund, estrutura nos Estados Unidos relacionada ao financiamento da produção cinematográfica.
Segundo informações divulgadas pelo UOL, Freixo declarou em sua delação que realizou repasses de mais de R$ 60 milhões para um fundo que custeou o filme, após tratativas envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
Reportagens anteriores também apontaram que a Entre teria enviado recursos ao Havengate, fundo administrado nos Estados Unidos. A origem e a finalidade dessas movimentações estão entre os pontos examinados pelas autoridades.
O filme Dark Horse retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Por isso, a descoberta de conexões financeiras envolvendo empresas investigadas no caso Master acrescentou uma nova dimensão às discussões sobre a produção.
>>>🗒️Tem alguma sugestão de reportagem ou denúncia? Envie para o Blé News.<<<
Operação Crédito Oculto mira estrutura financeira
A ação realizada nesta quinta-feira é identificada pela Receita Federal como Operação Crédito Oculto, um desdobramento da Operação Carbono Oculto.
A Receita informou que a investigação identificou novas conexões financeiras de pessoas e empresas investigadas e apontou indícios de ocultação patrimonial e dissimulação da origem de recursos utilizados na aquisição de uma distribuidora de combustíveis.
Nesta etapa, foram cumpridos 29 mandados de busca e apreensão, envolvendo 13 pessoas físicas e 24 empresas em sete estados brasileiros, segundo informações divulgadas sobre a operação. Entre os alvos está Freixo Júnior, além de pessoas ligadas ao setor financeiro.
O que a investigação apura
As autoridades investigam uma estrutura que teria utilizado empresas, fintechs e fundos de investimento para movimentar recursos e ocultar o controle de ativos.
Segundo as informações divulgadas pelo Ministério Público e pela Receita, a apuração envolve a tentativa de esconder a propriedade e a origem de recursos relacionados ao setor de combustíveis.
A investigação também busca esclarecer as conexões financeiras entre diferentes empresas e pessoas que aparecem nos desdobramentos do caso.
O que o Banco Master tem a ver com o caso?
O Banco Master, de Daniel Vorcaro, aparece na investigação porque recursos associados ao grupo teriam passado pela estrutura da Entre Investimentos.
A conexão ganhou ainda mais atenção depois da delação de Freixo, que, segundo reportagens, descreveu operações financeiras realizadas para pessoas ligadas ao antigo controlador do banco.
No caso específico de Dark Horse, a investigação procura esclarecer a origem dos recursos destinados ao fundo responsável pelo financiamento da produção.
É importante separar, porém, a existência de uma movimentação financeira investigada da comprovação de eventual responsabilidade criminal de cada pessoa ou empresa citada. As apurações continuam e diferentes envolvidos podem apresentar versões e defesas próprias.
Investigação ainda está em andamento
A operação desta quinta-feira amplia o conjunto de informações que vêm sendo reunidas pelas autoridades sobre as relações entre o sistema financeiro, empresas do setor de combustíveis e o caso Banco Master.
A declaração de Dario Durigan foi dada no contexto da nova fase da investigação e aponta, segundo o ministro, para uma possível convergência de recursos de diferentes origens dentro de estruturas empresariais.
A partir de agora, documentos apreendidos, movimentações financeiras e depoimentos deverão ajudar os investigadores a esclarecer como o dinheiro circulou, quem participou das operações e qual foi a finalidade de cada transação.
O caso também coloca Dark Horse no radar das investigações financeiras, justamente por causa dos repasses realizados ao fundo que participou do financiamento do filme.
Enquanto as autoridades avançam na apuração, novas informações podem alterar ou ampliar o entendimento sobre as conexões entre os envolvidos.
O que está confirmado: a Entre Investimentos foi alvo da operação desta quinta-feira e aparece nas investigações relacionadas ao Banco Master e ao financiamento de Dark Horse. As autoridades ainda apuram a origem, circulação e finalidade dos recursos envolvidos.




