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Festa dos Pretos Velhos reúne 40 terreiros em BH

Redação Blé NewsRedação Blé News
14 de maio de 2026 às 19:31· Atualizado em 14/05/2026 às 19:46

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Festa dos Pretos Velhos celebra 43 anos em BH com fé, cultura afro-brasileira e resistência negra
Festa dos Pretos Velhos celebra 43 anos em BH com fé, cultura afro-brasileira e resistência negraDiego Vasconcellos

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Evento gratuito acontece no dia 16 de maio, na Praça 13 de Maio, e reúne dezenas de centros de Umbanda em Belo Horizonte.

A tradicional Noite da Libertação – Festa dos Pretos Velhos acontece neste sábado, 16 de maio, a partir das 18h, na Praça 13 de Maio, no bairro Silveira, em Belo Horizonte, MG. O evento gratuito reúne cerca de 40 centros de Umbanda da capital mineira e da região metropolitana em uma grande celebração da cultura afro-brasileira, da ancestralidade e da resistência negra. Realizada há 43 anos, a festa homenageia os Pretos-Velhos — entidades espirituais ligadas à sabedoria, acolhimento e memória da população negra escravizada no Brasil — e também promove uma reflexão sobre liberdade, racismo religioso e preservação das tradições de matriz africana. Tombada como Patrimônio Imaterial de Belo Horizonte desde 2019, a celebração contará com distribuição gratuita de alimentos típicos, apresentações culturais, rituais religiosos, feira de empreendedores e manifestações de fé abertas ao público.

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Festa dos Pretos Velhos transforma praça em espaço de fé e resistência

Mais do que uma celebração religiosa, a Noite da Libertação se tornou um dos eventos mais significativos da cultura afro-brasileira em Minas Gerais.

A programação transforma a Praça 13 de Maio em um grande espaço de fé, ancestralidade e resistência, onde centros de Umbanda levam para o ambiente público rituais tradicionalmente realizados nos terreiros. Atabaques, incensos, orações, cantigas, passes espirituais e a distribuição gratuita de comidas típicas fazem parte da celebração.

Festa dos Pretos Velhos chega à sua 43ª edição reunindo dezenas de terreiros — Foto: @caderninho azul

A expectativa é reunir centenas de pessoas para homenagear a ancestralidade negra e reforçar a luta contra a intolerância religiosa.

Segundo Pai Ricardo de Moura, diretor da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), organizadora do evento, a festa também funciona como um ato político e social.

Homenageamos nossos Pretos-Velhos, nossos guias espirituais, mas também é uma oportunidade de alertar para os ataques constantemente sofridos pelas religiões de matriz africana até hoje.

A declaração acontece em um cenário preocupante. Dados do Disque 100 mostram que as religiões de matriz africana seguem entre as principais vítimas de intolerância religiosa no país.

Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, foram registradas:

  • Umbanda: 228 denúncias
  • Candomblé: 161 denúncias
  • Umbanda e Candomblé simultaneamente: 47 denúncias
  • Outras religiões afro-brasileiras: 40 denúncias

Reconhecida oficialmente como Patrimônio Imaterial de Belo Horizonte desde 2019, a Noite da Libertação reforça seu papel histórico, cultural e social na preservação das tradições afro-brasileiras e no fortalecimento da liberdade religiosa.

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O significado do 13 de maio para o povo de terreiro

Para os organizadores da Noite da Libertação, o 13 de Maio carrega um significado que vai muito além da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.

A data é entendida como um marco da resistência histórica do povo negro e da luta permanente por liberdade, dignidade, respeito e igualdade racial no Brasil.

Segundo Pai Ricardo, a resistência negra não começou com o fim oficial da escravidão, mas muito antes disso.

De acordo com ele, homens e mulheres africanos escravizados já lutavam por liberdade desde a travessia forçada nos navios negreiros, enfrentando violência, apagamento cultural e desumanização.

“Nosso povo sempre resistiu. Resistiu nos navios, nos quilombos, nos terreiros e continua resistindo até hoje”, destaca o dirigente religioso.

Para os povos de terreiro, o 13 de Maio também representa memória, ancestralidade e a continuidade da luta contra o racismo e a intolerância religiosa que ainda afetam a população negra e as religiões de matriz africana no país.

Pai Ricardo de Moura, diretor da Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) — Foto: Patrick Arley2

Celebração resgata memória e resistência negra

Segundo o dirigente religioso, a Noite da Libertação nasce com a proposta de ampliar o debate sobre liberdade e denunciar que diferentes formas de violência, exclusão e intolerância ainda atingem a população negra e os povos de terreiro no Brasil.

A celebração também reforça a memória ancestral como uma importante ferramenta de resistência cultural, espiritual e identitária.

Há mais de quatro décadas, o evento ocupa a Praça 13 de Maio reafirmando o direito das religiões afro-brasileiras existirem, preservarem suas tradições e se manifestarem publicamente com dignidade, respeito e liberdade religiosa.

Mais do que um ato de fé, a festa se consolidou como um espaço de valorização da cultura negra, fortalecimento da ancestralidade e enfrentamento ao racismo e à intolerância religiosa.

Um dos momentos mais aguardados da Festa dos Pretos Velhos é a distribuição gratuita de alimentos tradicionais ligados à memória afetiva e espiritual dos ancestrais homenageados. Entre os itens servidos ao público estão broa, canjica, café, biscoito assado em forno de lenha, feijão tropeiro e feijão carreteiro — comidas que carregam simbolismo, acolhimento e tradição dentro das celebrações populares afro-brasileiras.

Além da partilha dos alimentos, o público também poderá visitar uma feira de empreendedores com comercialização de artesanato, bebidas e comidas típicas.

A iniciativa busca fortalecer a economia criativa afro-brasileira, incentivar pequenos produtores locais e ampliar a valorização das tradições culturais ligadas aos povos de terreiro.

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Evento reforça cuidado ambiental e ocupação consciente do espaço público

Os organizadores da Noite da Libertação também ressaltam a preocupação ambiental durante toda a realização da festa.

De acordo com Pai Ricardo, a Praça 13 de Maio passa por limpeza antes e depois da celebração, como forma de garantir respeito ao espaço público e aos moradores da região.

A iniciativa reforça um dos princípios centrais das religiões de matriz africana: o cuidado e a preservação da natureza.

“A Umbanda é natureza. Precisamos cuidar e preservar o ambiente onde estivermos”, destaca o dirigente religioso.

Além do aspecto espiritual, a ocupação da praça também simboliza a afirmação do direito do povo negro e dos povos tradicionais de ocuparem os espaços públicos por meio de suas manifestações culturais, religiosas e ancestrais.

A celebração transforma o espaço urbano em um território de memória, resistência e valorização das tradições afro-brasileiras.

Serviço — Noite da Libertação – Festa dos Pretos Velhos

Data: 16 de maio
Horário: das 18h às 22h
Local: Praça 13 de Maio — Bairro Silveira, Belo Horizonte
Entrada: Gratuita

A Noite da Libertação – Festa dos Pretos Velhos é promovida pela CCPJO em parceria com o Movimento Social Negro, o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira e a RUM (Reunião Umbandista Mineira).

O evento também conta com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura e da Prefeitura de Belo Horizonte, fortalecendo ações de valorização da cultura afro-brasileira, da ancestralidade negra e da liberdade religiosa.

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