Golpes com Pix e promessa de dinheiro fácil lideram fraudes online

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Relatório da Agência Lupa revela que promessas de dinheiro fácil, Pix e uso indevido de marcas famosas seguem entre as estratégias mais comuns dos criminosos na internet.
Promessas de dinheiro fácil, falsas promoções e pagamentos via Pix continuam sendo as principais estratégias utilizadas por criminosos para aplicar golpes na internet. É o que aponta a segunda edição do relatório A Jornada dos Golpes, divulgada pelo Observatório Lupa, núcleo de pesquisa da Agência Lupa. O levantamento analisou 115 conteúdos fraudulentos que circularam entre maio de 2024 e abril de 2026 e identificou padrões repetitivos nas fraudes, mostrando que os golpistas exploram a credibilidade de grandes empresas, notícias verdadeiras e o desejo das pessoas por benefícios financeiros para enganar novas vítimas.
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Segundo o estudo, aproximadamente um terço dos golpes exige pagamentos exclusivamente por Pix. Além disso, 71% das fraudes prometem algum tipo de ganho financeiro e 74% utilizam nomes de empresas conhecidas, instituições ou personalidades públicas para transmitir uma falsa sensação de segurança. Os pesquisadores afirmam que entender esses padrões é uma das formas mais eficientes de prevenir novos casos.
Golpes com Pix seguem um padrão conhecido
Embora novas fraudes apareçam diariamente nas redes sociais, a pesquisa mostra que a maioria delas segue praticamente a mesma fórmula.
Os criminosos apenas adaptam o discurso conforme o assunto do momento, aproveitando datas comemorativas, campanhas promocionais, benefícios governamentais ou notícias em destaque para dar credibilidade às mensagens.
Entre os golpes mais frequentes aparecem:
- falsas promoções;
- indenizações inexistentes;
- falsas vagas de emprego;
- benefícios sociais fictícios;
- brindes gratuitos;
- sorteios fraudulentos.
A pesquisadora responsável pelo estudo, Beatriz Farrugia, explica que os criminosos não precisam inventar golpes completamente novos.
“Eles reutilizam estruturas que já funcionaram, adaptam a narrativa ao contexto do momento e se aproveitam da confiança que as pessoas depositam em marcas conhecidas, instituições e figuras públicas”.
Segundo ela, justamente por serem repetitivos, esses golpes podem ser identificados com mais facilidade quando o usuário conhece seus principais sinais.
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Um dos pontos que mais chamou atenção no levantamento foi a utilização de fatos verdadeiros para construir histórias falsas.
Em 66% das fraudes analisadas, os golpistas partiram de acontecimentos reais para criar conteúdos enganosos.
Isso inclui:
- notícias publicadas pela imprensa;
- campanhas oficiais;
- decisões judiciais;
- programas sociais;
- páginas institucionais;
- comunicados de empresas.
Em vez de inventar completamente uma informação, os criminosos alteram pequenos detalhes, acrescentam links falsos ou modificam imagens para convencer a vítima de que a oferta é verdadeira.
Segundo Beatriz Farrugia, essa estratégia dificulta ainda mais a identificação das fraudes.
“Muitas vezes, a fraude não nasce de uma informação totalmente inventada, mas da adulteração de fatos verdadeiros, marcas reconhecidas ou notícias que já circulam na imprensa”.
O levantamento também identificou que mais de 15 empresas tiveram suas marcas utilizadas sem autorização para dar aparência de legitimidade aos golpes.
Entre as mais exploradas estão:
- Mercado Livre;
- Nubank;
- Shopee;
- Serasa;
- Rede Globo.
Além das empresas, jornalistas, médicos, influenciadores digitais e outras personalidades públicas também tiveram suas imagens utilizadas pelos criminosos para convencer as vítimas.
O objetivo é simples: quanto maior a confiança que uma pessoa deposita em determinada marca ou figura pública, maiores são as chances de ela acreditar que a oferta é verdadeira.
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WhatsApp e redes sociais impulsionam a circulação das fraudes
Outro dado importante do relatório mostra que a maioria dos golpes começa nas redes sociais abertas.
Facebook, Instagram e TikTok aparecem como os principais pontos de divulgação das mensagens fraudulentas.
Depois do primeiro contato, os usuários costumam ser direcionados para:
- formulários falsos;
- páginas clonadas;
- aplicativos de mensagens;
- grupos privados.
O WhatsApp aparece em quase 65% dos golpes registrados entre maio de 2025 e abril de 2026, consolidando-se como o principal canal utilizado para compartilhar esse tipo de fraude.
É justamente nesse ambiente que entram os pedidos de pagamento via Pix.
Os criminosos alegam que a vítima precisa pagar uma pequena taxa para liberar um prêmio, uma indenização, um benefício social ou até mesmo um grande desconto.
Na prática, o dinheiro enviado desaparece imediatamente e a promessa nunca é cumprida.
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Responsabilidade das plataformas digitais volta ao debate
O relatório também chama atenção para o papel das plataformas digitais na circulação dos golpes.
Segundo o Observatório Lupa, documentos internos da Meta divulgados pela imprensa em novembro de 2025 apontaram que a empresa teria arrecadado aproximadamente US$ 16 bilhões em 2024 com anúncios relacionados a golpes e produtos proibidos.
O caso ampliou o debate internacional sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia na fiscalização de anúncios patrocinados e na prevenção de conteúdos fraudulentos.
Especialistas defendem que o combate às fraudes depende da atuação conjunta entre plataformas digitais, instituições financeiras, órgãos públicos, empresas, veículos de imprensa e usuários.
📌 74% dos golpes analisados utilizaram marcas conhecidas para transmitir credibilidade, enquanto 71% prometiam dinheiro fácil e cerca de um terço exigia pagamentos exclusivamente via Pix.
Conhecer os padrões é a melhor forma de evitar prejuízos
Para a pesquisadora Beatriz Farrugia, os golpes digitais não acontecem de maneira aleatória.
Eles seguem modelos relativamente estáveis de narrativa, distribuição e monetização, repetindo estratégias que já deram resultado anteriormente.
Por isso, entender como essas fraudes funcionam pode ser uma ferramenta importante para reduzir prejuízos financeiros e impedir que novas vítimas sejam enganadas.
A principal recomendação é desconfiar de promessas de dinheiro fácil, benefícios inesperados, pedidos de pagamento antecipado via Pix e mensagens que utilizem nomes de grandes empresas para solicitar dados pessoais ou transferências bancárias.
Em caso de dúvida, o ideal é acessar diretamente os canais oficiais da empresa ou instituição citada, evitando clicar em links recebidos por mensagens ou redes sociais.
Com informações da Agência Brasil
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