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Justiça

Jaques Wagner é investigado pela PF; entenda as acusações

Redação Blé NewsRedação Blé News
19 de junho de 2026 às 05:36

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Líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA)
Líder do governo no Senado Federal, senador Jaques Wagner (PT-BA)Carlos Moura/Agência Senado

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Senador afirma estar tranquilo diante da investigação. Polícia Federal aponta supostas vantagens ligadas ao Banco Master, enquanto defesa nega qualquer irregularidade.

A Polícia Federal (PF) colocou o senador Jaques Wagner (PT-BA) no centro da nova fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação aponta que o parlamentar teria recebido vantagens econômicas indevidas relacionadas ao banqueiro Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master. Entre os fatos investigados estão a suposta negociação de um apartamento de alto padrão em Salvador, repasses financeiros a empresa administrada por familiares, utilização de aeronaves particulares e benefícios como ingressos para shows internacionais. Wagner nega todas as irregularidades, afirma que não é réu nem acusado formalmente e diz estar à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Segundo a representação da PF, utilizada como base para a decisão do STF, existem elementos que indicariam o recebimento de vantagens econômicas pelo senador, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas próximas e empresas ligadas ao grupo econômico investigado.

A investigação sustenta que a relação entre Jaques Wagner e o empresário Augusto Ferreira Lima seria antiga e marcada por um elevado grau de confiança, circunstância que, segundo os investigadores, teria favorecido tratativas relacionadas aos interesses privados do Banco Master.

Banqueiro Augusto Ferreira Lima, senador Jaques Wagner (PT-BA) — Foto: Reprodução

Entre os episódios citados está a negociação envolvendo um apartamento no condomínio residencial Poème Horto, localizado no bairro Horto Florestal, área nobre de Salvador.

De acordo com a PF, Wagner teria enviado ao empresário informações sobre o empreendimento e os dados do corretor responsável pela venda da unidade imobiliária.

A partir dessas informações, Augusto Lima teria solicitado que Valério Marega Júnior, apontado como operador financeiro do Banco Master, conduzisse a compra do imóvel, contando ainda com a participação de Daniel e David Lopes Monteiro, ligados ao núcleo empresarial investigado.

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Em entrevista à Band News, após a operação, o senador afirmou que acompanha a investigação com tranquilidade.

Segundo Wagner, ele não responde a nenhuma ação penal e desconhece qualquer elemento concreto que comprove irregularidades.

Até agora, não sou réu; não sou culpado; não sou nada. É uma investigação em cima do que eu imagino que a Polícia Federal encontrou em celulares [apreendidos] ou em alguma delação de alguém que eu desconheço”.

O parlamentar reconheceu conhecer Augusto Lima há vários anos, mas negou possuir qualquer vínculo com o Banco Master ou atuar em benefício da instituição financeira.

Medidas autorizadas no âmbito das Petições (PETs) 16229 sob relatoria do ministro André Mendonça — Foto: Reprodução/STF

Sobre o apartamento citado na investigação, Wagner explicou que pediu ao empresário que adquirisse o imóvel temporariamente porque sua filha ainda precisava vender outro apartamento antes de concluir a compra.

Segundo ele, o imóvel nunca foi transferido para seu nome.

Eu tinha interesse de dar, de ajudar a minha filha a comprar um apartamento destes. Como o Guga [Augusto Lima] é um investidor, disse a ele: “Você pode comprar? Depois eu vou recomprar. Porque o apartamento está em construção, não está pronto, e eu teria que vender o apartamento da minha filha para poder complementar e pagar o apartamento. Ou ela financiar”, contou Wagner, destacando não haver registros de transferência patrimonial para o seu nome.

Leia também: Mensagens revelam que pai de santo aconselhou empresário a não comprar parte do Banco Master

Repasses financeiros também fazem parte da investigação

Outro ponto levantado pela PF envolve supostos repasses superiores a R$ 5,5 milhões destinados à BN Financeira, empresa administrada por familiares do senador.

Para os investigadores, a empresa teria papel relevante dentro da estrutura financeira investigada.

Além disso, a PF cita outras supostas vantagens econômicas, entre elas:

  • utilização gratuita de aeronaves particulares;
  • viagens custeadas pelo empresário;
  • ingressos para shows internacionais;
  • benefícios destinados a familiares.

Parte dessas informações foi obtida a partir da análise de aparelhos celulares apreendidos durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, realizada em novembro de 2025.

As mensagens extraídas mostram conversas entre Wagner e Augusto Lima sobre encontros particulares, além da disponibilização de aeronaves para deslocamentos.

Também aparecem conversas relacionadas à oferta de ingressos para um camarote em um show realizado em Los Angeles, nos Estados Unidos.

Segundo os investigadores, os ingressos teriam custado aproximadamente R$ 63 mil.

Atuação parlamentar também entrou no radar da investigação

Outro eixo da investigação analisa a atuação do senador em matérias legislativas consideradas de interesse do grupo econômico ligado ao Banco Master.

A Polícia Federal cita como exemplo a apresentação da Emenda nº 30 durante a tramitação da Medida Provisória nº 1.106/2022, que posteriormente deu origem à Lei nº 14.431/2022.

Essa legislação ampliou a margem do crédito consignado para aposentados, pensionistas e beneficiários de programas sociais.

Além disso, a investigação menciona a Emenda nº 26 à PEC 65/2023, relacionada à autonomia financeira e orçamentária do Banco Central.

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Senador rebate acusações sobre atuação legislativa

Jaques Wagner afirmou que jamais trabalhou para favorecer interesses privados.

Como exemplo, lembrou que orientou a bancada governista a votar contra a chamada "Emenda Master", que pretendia ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

O governo foi contra o aumento da garantia do FGC. Eu, como líder do governo, encaminhei contra essa emenda”, lembrou Wagner, sem mencionar outras propostas parlamentares que, segundo a PF, beneficiariam o Master. O parlamentar também minimizou o fato de ter recebido, de Lima, um link para a emenda.

Segundo o parlamentar, receber sugestões de emendas ou mensagens de pessoas interessadas em determinado projeto faz parte da rotina do Congresso Nacional.

“É normal. Qualquer senador é procurado pelos interessados na votação de uma matéria, que tentam convencê-lo votar naquela matéria”, declarou.

Dólares apreendidos durante busca na residência

📌 PF aponta apartamento de R$ 2,45 milhões, repasses de R$ 5,5 milhões, uso de aeronaves particulares e ingressos para shows entre as supostas vantagens investigadas. Jaques Wagner nega todas as acusações e afirma que não é réu nem denunciado.

Dinheiro apreendido durante 9ª fase da Compliance Zero, em Brasília — Foto: Reprodução

Durante o cumprimento dos mandados autorizados pelo STF, agentes da PF encontraram aproximadamente US$ 49 mil em espécie na residência de Jaques Wagner, em Brasília.

O valor corresponde a cerca de R$ 250 mil na cotação atual.

Segundo o senador, o dinheiro tem origem em diárias oficiais recebidas durante missões internacionais realizadas pelo Senado Federal, além de recursos próprios declarados à Receita Federal.

Ele afirmou que costuma guardar moeda estrangeira em cofre para futuras viagens e destacou que parte dos valores permanecia dentro de envelopes oficiais do Senado.

A assessoria reforçou que todos os recursos foram devidamente declarados no Imposto de Renda.


Defesa afirma que senador não responde a processo

Em nota oficial, a assessoria de Jaques Wagner reforçou que o parlamentar não é réu, não foi denunciado e tampouco responde a qualquer processo relacionado à investigação.

A defesa também negou que o apartamento citado tenha integrado o patrimônio do senador e afirmou que ele jamais atuou em benefício do Banco Master.

Leia a íntegra da nota divulgada pela assessoria do senador Jaques Wagner:

"O senador Jaques Wagner (PT-BA) esclarece que não é réu, não foi denunciado e não foi acusado em nenhum processo relacionado aos fatos investigados. O parlamentar acompanha com tranquilidade o andamento das investigações e mantém a confiança na condução delas.

Cabe esclarecer que o apartamento mencionado jamais integrou o patrimônio do parlamentar. O senador também nega atuação em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira.

Sobre os valores em espécie apreendidos, a assessoria informa que o montante é fruto de diárias legais, declaradas e não utilizadas em missões internacionais oficiais. Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá."

Já a defesa de Augusto Ferreira Lima classificou as diligências realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias.

Segundo os advogados, o empresário está colaborando com as autoridades há meses e acredita que a investigação demonstrará a legalidade de todos os atos questionados.

Enquanto a apuração segue em andamento, caberá à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal analisar as provas reunidas antes de eventual denúncia. Até o momento, não há condenação nem acusação formal contra Jaques Wagner.

Com informações da Agência Brasil

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