Pajubá ganha debate sobre reconhecimento como patrimônio linguístico

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Museu da Diversidade Sexual promove debate sobre o reconhecimento do Pajubá, linguagem criada como ferramenta de proteção e identidade da comunidade LGBTQIA+.
O Pajubá, linguagem criada e desenvolvida pela comunidade LGBTQIA+, especialmente entre travestis e pessoas trans negras, volta ao centro das discussões durante o Mês do Orgulho LGBTQIA+. Nesta quinta-feira (25), o Museu da Diversidade Sexual (MDS), em São Paulo, promove um encontro aberto ao público para discutir o reconhecimento do Pajubá como patrimônio linguístico brasileiro. A iniciativa busca preservar uma linguagem que nasceu da necessidade de proteção, comunicação e resistência em um período marcado pela violência e pela repressão, especialmente durante a Ditadura Militar. O debate também pretende ampliar a compreensão sobre o valor histórico, cultural e identitário dessa forma de expressão, que hoje corre o risco de cair no esquecimento entre as novas gerações.
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Mais do que um conjunto de palavras, o Pajubá representa uma forma de comunicação construída para garantir segurança e pertencimento dentro da comunidade LGBTQIA+.
Seu vocabulário reúne expressões vindas de línguas africanas, principalmente iorubá e banto, além de influências do francês, espanhol, italiano e inglês.
A própria palavra pajubá significa "segredo", "conversa" ou "novidade" em iorubá, refletindo sua principal função: permitir conversas discretas em ambientes marcados pela discriminação.
Durante décadas, essa linguagem serviu como instrumento de sobrevivência para pessoas LGBTQIA+, especialmente travestis e mulheres trans que enfrentavam perseguições constantes.
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Pajubá preserva a memória da resistência LGBTQIA+
Segundo a escritora e curadora da Masterclass Pajubá, Amara Moira, a linguagem também enfrentou preconceito dentro da própria comunidade.
Por muito tempo, ela foi associada exclusivamente às trabalhadoras sexuais travestis, o que levou muitas pessoas LGBTQIA+ a evitarem seu uso por medo da estigmatização.
“A própria comunidade, muitas vezes, olhou para essa linguagem como uma língua de marginais e fazia questão de se distanciar. Hoje, a gente pode sentir orgulho dela, mas é importante pensar que até algum tempo atrás essa era uma linguagem estigmatizada”.
Hoje, entretanto, pesquisadores, artistas e ativistas defendem que o Pajubá seja reconhecido como parte fundamental da memória coletiva da população LGBTQIA+.
Para Amara, cada palavra ajuda a compreender os desafios enfrentados em diferentes épocas.
Segundo ela, o vocabulário revela necessidades, desejos e estratégias utilizadas pela comunidade para resistir à violência e à exclusão social.
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Com o avanço dos direitos LGBTQIA+ e a redução gradual de algumas formas de discriminação, o uso cotidiano do Pajubá diminuiu.
As novas gerações passaram a utilizar menos essa linguagem, contribuindo para que diversas expressões deixassem de circular.
"Olhar para essas palavras é também pensar quais eram as necessidades e urgências da comunidade LGBTQIA+ ao longo da história." — Amara Moira
Apesar do risco de desaparecimento, o Pajubá voltou a ganhar espaço graças às produções culturais.
Cinema, teatro, música e literatura têm incorporado diversas expressões da linguagem, despertando interesse de novos públicos.
Segundo Amara Moira, esse pode ser justamente o futuro do Pajubá: permanecer vivo por meio das manifestações artísticas e da valorização da memória da comunidade LGBTQIA+.
“Acho que o novo caminho para o Pajubá pode ser justamente esse, com o cinema, o teatro, a música e a literatura”, acredita Amara.
Além disso, iniciativas como a promovida pelo Museu da Diversidade Sexual reforçam a importância de registrar esse patrimônio imaterial para que ele continue sendo conhecido pelas próximas gerações.
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Debate acontece em São Paulo
O encontro promovido pelo Museu da Diversidade Sexual será realizado nesta quinta-feira (25), às 19h.
O evento acontece no Centro de Empreendedorismo e Pesquisa do museu, localizado na Rua do Arouche, 24, no bairro da República, região central da capital paulista.
A atividade é aberta ao público e integra a programação especial do Mês do Orgulho LGBTQIA+, reforçando a importância da preservação da memória, da cultura e das formas de expressão da comunidade.
Com informações da Agência Brasil
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