BleNews
BleNews
Siga-nos
Famosos

Paulinho levanta debate sobre intolerância religiosa no futebol

Alexandro OliverAlexandro Oliver
19 de julho de 2026 às 18:23

Compartilhar notícia

O atacante Paulinho participa de entrevista no Palmeiras Cast, onde falou sobre sua trajetória no futebol, sua fé no Candomblé e a importância do combate à intolerância religiosa.
O atacante Paulinho participa de entrevista no Palmeiras Cast, onde falou sobre sua trajetória no futebol, sua fé no Candomblé e a importância do combate à intolerância religiosa.Giovani Conde/Palmeiras

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio

Atacante do Palmeiras voltou a defender publicamente sua fé no Candomblé, explicou o significado da saudação a Oxóssi e reforçou que o preconceito ainda faz parte da realidade de muitos praticantes das religiões de matriz africana.

🏹 "Okê Arô, meu Pai Oxóssi. Okê Arô."

A saudação que acompanha os gols de Paulinho pelo Palmeiras vai muito além de uma simples comemoração. Durante entrevista ao podcast da TV Palmeiras Sportingbet, divulgada na última sexta-feira (17), o atacante voltou a explicar o significado do gesto de lançar uma flecha imaginária após balançar as redes e aproveitou para reforçar um tema que considera fundamental: o combate à intolerância religiosa.

Atacante Paulinho no Palmeiras CastPaulinho participa do Palmeiras Cast e comenta a relação entre sua comemoração em campo, a fé em Oxóssi e a luta contra a intolerância religiosa — Foto: Reprodução/TV Palmeiras Sportingbet

Adepto e iniciado para orixá Oxóssi no Candomblé, Paulinho afirmou que nunca escondeu sua espiritualidade e acredita que falar abertamente sobre sua religião ajuda a diminuir o preconceito contra as religiões de matriz africana. Segundo ele, muitas pessoas ainda conhecem essas tradições apenas de maneira superficial, o que alimenta estereótipos e discriminação.

O camisa 10 do Palmeiras destacou que manifestar sua fé publicamente representa não apenas uma escolha pessoal, mas também uma forma de contribuir para que outras pessoas compreendam melhor o universo religioso afro-brasileiro.

📱> Entre no canal do Blé News no WhatsApp e receba notícias e bastidores direto no seu celular

Paulinho explica o significado da saudação a Oxóssi

A tradicional comemoração de Paulinho após balançar as redes é uma homenagem a Oxóssi, orixá da caça, das florestas, da fartura, da prosperidade. Conhecido como o "caçador de uma única flecha", Oxóssi simboliza precisão, estratégia e sabedoria.

Na tradição iorubá, Oxóssi foi um importante rei da cidade de Ketu, no território do atual Benim. Já na Umbanda, é reverenciado como o chefe da falange dos Caboclos, entidades ligadas às matas, à natureza e à força espiritual da caça.

Ao reproduzir o gesto de lançar uma flecha imaginária e saudar "Okê Arô, meu Pai Oxóssi", Paulinho expressa publicamente sua fé e reverência ao orixá, transformando sua comemoração em um símbolo de ancestralidade, identidade e representatividade para o povo de axé.

O atacante também costuma entrar em campo usando uma guia azul-clara no pescoço, fio sagrado associado a Oxóssi, utilizado como elemento de proteção espiritual e conexão com sua religiosidade.

Durante a entrevista, Paulinho destacou que ainda existe muito desconhecimento sobre as religiões de matriz africana, o que contribui para a perpetuação do preconceito.

"As pessoas conhecem muito de forma superficial e precisam conhecer mais pelo tanto de preconceito que a gente sofre." — Paulinho.

Continue a leitura após a publicidade

Intolerância religiosa ainda faz parte da realidade

Durante a entrevista, Paulinho relembrou que decidiu tornar pública sua religião durante os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.

Na ocasião, ao marcar contra a Alemanha, repetiu a tradicional comemoração da flecha. O gesto chamou atenção nacional e fez com que muitas pessoas descobrissem que o jogador seguia o Candomblé.

Segundo ele, aquele momento mostrou que era necessário ampliar o debate sobre liberdade religiosa.

"Ali eu vi que a gente estava precisando mesmo mostrar para a galera que tinha que acabar com aquele preconceito que a gente sofre até hoje."

O atacante explicou que diversos colegas de futebol já conheciam sua espiritualidade, mas o assunto ainda era pouco discutido publicamente.

A trajetória de Paulinho e a fé no Candomblé

A mãe do jogador, Ana Christina, já revelou em entrevistas que Paulinho se iniciou no Candomblé aos 17 anos.

Paulinho do PalmeirasAtacante Paulinho iniciado no Candomblé para o orixá Oxóssi — Foto: Reprodução

Segundo ela, a decisão nasceu da busca por autoconhecimento, espiritualidade e fortalecimento da própria identidade.

Desde então, o atleta passou a incorporar elementos da sua religiosidade de forma natural em sua vida pessoal e profissional, transformando sua celebração em um símbolo de representatividade para milhares de praticantes das religiões afro-brasileiras.

Para muitos integrantes do povo de axé, ver um atleta de destaque expressando sua fé em rede nacional representa um importante avanço na ocupação de espaços historicamente marcados pelo preconceito.

Leia também: Intolerância religiosa: mãe tem corrida recusada por motorista de app 

O papel de Exu e os equívocos sobre as religiões afro-brasileiras

Exu é frequentemente alvo de desinformação

Outro ponto citado por Paulinho foi Exu, divindade fundamental nas tradiões afro-brasileiras.

Ao contrário de interpretações equivocadas difundidas ao longo da história, Exu não representa o mal. Nas tradições do Candomblé e da Umbanda, ele é o mensageiro entre o mundo material e o espiritual, guardião dos caminhos e responsável pela comunicação entre os seres humanos e os orixás.

Especialistas e lideranças religiosas frequentemente alertam que associar Exu a figuras demonizadas é resultado de séculos de preconceito religioso e racismo estrutural.

Ataques nas redes sociais reacendem debate

A exposição pública da fé também trouxe consequências.

Durante sua passagem pelo Atlético Mineiro, em 2023, Paulinho voltou a sofrer ataques nas redes sociais em razão da sua religião.

Na época, o clube publicou uma nota de apoio ao atleta.

"Força, Paulinho. Que sua fé te proteja da maldade alheia."

A publicação também lembrou que intolerância religiosa é crime no Brasil.

Mesmo diante dos ataques, o jogador manteve sua posição de defender o respeito às diferentes crenças.

>>>🗒️Tem alguma sugestão de reportagem ou denúncia? Envie para o Blé News.<<<

Debate continua entre torcedores

Antes mesmo da entrevista terminar de repercutir, o vídeo publicado pelo Palmeiras no Instagram passou a concentrar centenas de comentários e reacendeu o debate sobre intolerância religiosa e liberdade de crença nas redes sociais.

Intolerância Religiosa nas Redes SociaisIntolerância Religiosa nas Redes Sociais — Foto: Reprodução/@palmeiras/@paulinho10

Entre as manifestações, muitos internautas elogiaram Paulinho por abordar publicamente sua fé no Candomblé e por utilizar sua visibilidade para discutir o respeito às religiões de matriz africana. Outros, no entanto, responderam reafirmando exclusivamente suas próprias convicções religiosas. Nos comentários, Pablo Medeiros escreveu: "Jesus é o caminho, a verdade e a vida!". Pedro Lucas publicou: "Jesus Cristo é o caminho!". Já Alex Nascimento comentou: "Quem ilumina o Brasil é Deus 🙌 e não Exu nenhum".

As publicações também geraram respostas de usuários que defenderam o direito à liberdade religiosa e lembraram que a intolerância religiosa é crime no Brasil. Um dos comentários de maior repercussão foi o de Marco de Fiori, que criticou as mensagens consideradas intolerantes e afirmou que a fala de Paulinho evidenciava justamente o preconceito enfrentado pelos praticantes das religiões de matriz africana. Segundo ele, tentar impor uma crença sobre outra contradiz o princípio do respeito à diversidade religiosa garantido pela Constituição.

A repercussão demonstra que o tema continua despertando debates intensos nas redes sociais e evidencia como a manifestação pública da fé de atletas e personalidades ainda provoca diferentes reações entre os brasileiros.

Mais do que uma comemoração após um gol, o gesto de Paulinho tornou-se um símbolo de identidade, ancestralidade e representatividade para o povo de axé, além de reforçar a importância do combate à intolerância religiosa e da defesa da liberdade de culto em uma sociedade plural.

PUBLICIDADE

Espaço para anúncio