Racismo religioso gera alerta após dados sobre terreiros

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Evento realizado em Minas Gerais debateu liberdade religiosa e revelou dados que mostram o impacto da intolerância contra povos de matriz africana.
A luta contra o racismo religioso ganhou destaque durante o 4º EGBE – Encontro Nacional das Culturas dos Povos de Matriz Africana: O Poder Ancestral, realizado entre os dias 4 e 7 de junho, em Contagem, Minas Gerais. O evento reuniu mais de 500 lideranças religiosas, pesquisadores, ativistas e representantes de órgãos públicos do Brasil e do exterior para discutir ações voltadas à proteção dos povos de matriz africana e ao fortalecimento da liberdade religiosa. Durante o encontro, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) apresentou dados preocupantes sobre a intolerância religiosa no país, reforçando a necessidade de políticas públicas permanentes para combater a discriminação e garantir direitos fundamentais às comunidades tradicionais.
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Representando o MDHC, o coordenador-geral de Promoção da Liberdade Religiosa, Luis Alberto Ferreira Diaz, participou da abertura do encontro e destacou que a defesa da liberdade religiosa vai muito além da garantia formal do direito à crença.
Segundo ele, a proteção das comunidades de matriz africana está diretamente relacionada à promoção dos direitos humanos e ao enfrentamento das desigualdades históricas vividas por esses grupos.
“Quando falamos de liberdade religiosa no âmbito do MDHC, não estamos falando apenas da garantia abstrata do direito à crença. Estamos falando da proteção concreta de pessoas e comunidades que historicamente tiveram seus territórios invadidos, seus símbolos criminalizados, suas práticas perseguidas e sua humanidade negada”, afirmou.
Diaz lembrou que muitos terreiros tiveram seus territórios invadidos ao longo da história, enquanto símbolos religiosos foram criminalizados e práticas culturais perseguidas.
“Quando falamos de liberdade religiosa no âmbito do MDHC, não estamos falando apenas da garantia abstrata do direito à crença. Estamos falando da proteção concreta de pessoas e comunidades que historicamente tiveram seus territórios invadidos, seus símbolos criminalizados, suas práticas perseguidas e sua humanidade negada”, afirmou.
O representante do ministério também ressaltou que o combate à discriminação está previsto na Constituição Federal, no Estatuto da Igualdade Racial e em outras legislações que garantem proteção aos povos e comunidades tradicionais.
“Reconhecer o racismo religioso significa compreender que a violência dirigida aos povos de terreiro não ocorre apenas porque são tradições diferentes. Ela ocorre porque essas religiões e tradições são expressão de uma herança africana que foi historicamente alvo do racismo estrutural no Brasil”, enfatizou.
Dados sobre intolerância religiosa revelam cenário preocupante
Durante a programação, foram apresentados números do Disque 100 que apontam a dimensão do problema.
Entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o canal registrou 2.774 denúncias relacionadas à intolerância religiosa em todo o país.
De acordo com o coordenador, as religiões de matriz africana aparecem entre as mais atingidas pelas ocorrências registradas. Casos envolvendo umbanda, candomblé e outras tradições afro-brasileiras representam parcela significativa das denúncias.
Para especialistas e lideranças presentes, esses números demonstram que a violência não acontece de forma isolada, mas reflete um padrão ligado ao racismo estrutural ainda presente na sociedade brasileira.
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Pesquisa aponta impacto do racismo religioso nos terreiros
Outro destaque do encontro foi a apresentação dos resultados da pesquisa Respeite Meu Terreiro.
O estudo foi desenvolvido pelo MDHC em parceria com a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras e Saúde (Renafro), o Terreiro Ilê Omolu Oxum e pesquisadores da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).
O levantamento ouviu 255 terreiros distribuídos por todas as regiões do Brasil.
Os dados revelaram que:
- 76% dos terreiros já sofreram racismo religioso;
- 80% informaram que integrantes das comunidades foram vítimas diretas de discriminação;
- 93% dos terreiros com mais de 100 frequentadores relataram episódios de intolerância.
Os números reforçam a necessidade de ampliar ações de proteção e conscientização voltadas às comunidades tradicionais de matriz africana.
Liberdade religiosa e proteção dos povos de terreiro
Racismo religioso atinge 76% dos terreiros, revela pesquisa apresentada em encontro nacional — Foto: Divulgação/SNDH/MDHC
Um dos momentos mais importantes do encontro foi a atividade "Espaço Sagrado, Terreiro Protegido – O Papel das Instituições de Direitos Humanos no Combate à Intolerância Religiosa".
A iniciativa reuniu representantes do sistema de justiça, integrantes da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, lideranças religiosas e participantes do evento.
O debate destacou a importância da atuação conjunta entre poder público e sociedade civil para garantir a proteção dos espaços sagrados e assegurar que casos de intolerância sejam denunciados e investigados.
Além disso, participantes defenderam o fortalecimento de mecanismos de acolhimento às vítimas e a ampliação das campanhas educativas sobre diversidade religiosa.
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Encontro nacional fortalece debate sobre direitos humanos
O EGBE tem se consolidado como um dos principais espaços de diálogo entre povos e comunidades tradicionais de matriz africana.
Além das discussões sobre liberdade religiosa, o encontro promove intercâmbio cultural, compartilhamento de experiências e construção de estratégias voltadas à equidade racial.
Para os organizadores, a valorização dos saberes ancestrais e das tradições afro-brasileiras é fundamental para combater preconceitos históricos e ampliar o reconhecimento da contribuição desses povos para a formação da sociedade brasileira.
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Próximos passos no combate à intolerância religiosa
As discussões realizadas durante o encontro devem contribuir para os debates do seminário "Racismo Religioso: na Perspectiva da Violação de Direitos Humanos", previsto para acontecer nos dias 29 e 30 de junho de 2026.
“Que possamos seguir construindo juntos um país onde os terreiros sejam reconhecidos como espaços de saber, de cuidado, de resistência e de produção de direitos. O enfrentamento ao racismo religioso é uma agenda de direitos humanos, de democracia e de justiça social”, concluiu o coordenador-geral.
A expectativa é que o evento reúna especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para aprofundar o debate sobre políticas de proteção aos povos de terreiro e estratégias de enfrentamento à discriminação religiosa.
O objetivo é transformar reflexões em ações concretas que fortaleçam a democracia, a liberdade religiosa e o respeito à diversidade cultural brasileira.
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