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Rei de Oyó visita a Bahia e reforça patrimônio cultural iorubá

Alexandro OliverAlexandro Oliver
02 de julho de 2026 às 18:00· Atualizado em 07/07/2026 às 19:24

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Majestade Imperial Ọba Akeem Abimbola Owoade I, Alaafin de Oyó
Majestade Imperial Ọba Akeem Abimbola Owoade I, Alaafin de OyóReprodução/Facebook/@AlaafinofOyo

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A visita do Alaafin de Oyó reúne autoridades, pesquisadores e comunidades tradicionais para fortalecer a cooperação entre Bahia e Nigéria e preservar o patrimônio histórico iorubá.

A visita oficial do Alaafin de Oyó, Sua Majestade Imperial Ọba Akeem Abimbola Owoade I, acompanhado da Rainha de Oyó, Ayaba Abiwumi Olajumoke Owoade, do Príncipe Adeotola Samuel Ọ̀wọ́adé e da comitiva oficial do Reino de Oyó, marca um novo capítulo na aproximação entre Brasil e Nigéria. A delegação participou da abertura da 4ª Conferência Internacional LASUCAS – Cooperação Sul-Sul, realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, e cumpre, até o dia 4 de julho, uma agenda de compromissos acadêmicos, diplomáticos, culturais e religiosos. Entre as atividades estão visitas à Pedra de Xangô e a tradicionais terreiros de candomblé da Bahia, reforçando os vínculos históricos entre os dois países e a importância da preservação da cultura iorubá, cujo legado permanece vivo nas manifestações religiosas e culturais do povo baiano.

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Rei de Oyó visita a Bahia

Rei de Oyó fortalece cooperação entre Bahia e Nigéria

A abertura da conferência internacional reuniu representantes de universidades brasileiras e nigerianas, autoridades tradicionais do Reino de Oyó, integrantes da Associação dos Agudás (Retornados) e pesquisadores dedicados aos estudos afro-brasileiros.

Um dos principais momentos do evento foi o lançamento do livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá, resultado da cooperação técnico-científica entre a UFBA, o Palácio Real de Oyó, a Universidade Ajayi Crowther e a Universidade de Lagos.

A publicação representa mais um passo na mobilização internacional para que Oyó seja reconhecida como Patrimônio Mundial, valorizando sua importância histórica para a civilização iorubá e para as populações descendentes dessa cultura espalhadas pelo mundo.

Além da produção acadêmica, a conferência fortalece o diálogo entre instituições brasileiras e africanas, ampliando iniciativas voltadas à preservação do patrimônio material e imaterial compartilhado pelos dois países.

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A visita à Casa de Oxumarê simboliza o reencontro com a ancestralidade

Um dos momentos mais emblemáticos da visita oficial aconteceu na noite da quarta-feira (1º), quando a comitiva do Reino de Oyó foi recebida na Casa de Oxumarê (Ilé Òṣùmàrè Àṣẹ Àràká Ògódò), um dos mais antigos e respeitados terreiros de candomblé do Brasil. A visita ocorreu em uma data de profundo significado para o povo de axé, por marcar o dia dedicado a Xangô, orixá da justiça e patrono espiritual da Casa de Oxumarê.

Reino de Oyó foi recebido na Casa de OxumarêSua Majestade Imperial Ọba Akeem Abimbola Owoade I, Alaafin de Oyó, ao lado de sua comitiva e do bàbálórìṣà Babá Pecê de Oxumarê, durante visita oficial à Casa de Oxumarê, em Salvador (BA)  — Foto: Acervo Casa de Oxumarê

Mais do que uma cerimônia protocolar, o encontro simbolizou o reconhecimento do papel histórico das comunidades tradicionais de matriz africana da Bahia na preservação e transmissão da herança civilizatória iorubá. O momento reforçou os laços ancestrais entre Brasil e Nigéria e evidenciou a importância dos terreiros como espaços de resistência, memória e salvaguarda do patrimônio cultural afro-brasileiro.

A recepção também reafirmou a parceria construída ao longo dos últimos anos entre lideranças religiosas, pesquisadores, universidades e representantes do Reino de Oyó, consolidando a Bahia como um dos principais territórios de preservação da cultura iorubá fora do continente africano e fortalecendo sua posição como ponte cultural entre África e Brasil.

"A visita do Alaafin reafirma que Bahia e Nigéria compartilham um patrimônio vivo, construído pela ancestralidade, pela espiritualidade e pelo compromisso das comunidades tradicionais em manter esse legado para as futuras gerações.” — Babá Pecê de Oxumarê.

Leia também: Livro OYÓ destaca legado cultural iorubá com presença da Família Real de Oyó

Embora a visita do atual Alaafin represente um novo momento dessa parceria, a aproximação institucional começou há mais de dez anos.

Em 2014, integrantes da Casa de Oxumarê estiveram em Oyó e identificaram a situação de vulnerabilidade de importantes patrimônios históricos e religiosos da antiga capital do Império Iorubá.

A partir dessa constatação, iniciou-se um amplo movimento de articulação envolvendo diversos terreiros tradicionais da Bahia, entre eles a Casa Branca do Engenho Velho, Ilê Axé Opô Afonjá, Terreiro do Gantois e Terreiro Alaketu.

A iniciativa também reuniu instituições como IPHAN, UNESCO, universidades brasileiras, universidades nigerianas e representantes governamentais, formando uma rede internacional dedicada à preservação desse patrimônio histórico.

O trabalho conjunto permitiu o intercâmbio entre pesquisadores, lideranças religiosas e autoridades tradicionais, fortalecendo os laços culturais entre os dois países.

Oyó é considerada um dos maiores centros da civilização iorubá

Capital de um dos maiores impérios africanos, Oyó exerceu papel decisivo na expansão da língua, da organização política, das tecnologias, das tradições religiosas e da cultura iorubá por grande parte da África Ocidental.

Rei de Oyó visita a BahiaMapa do Império de Oyó, um dos maiores centros da civilização iorubá na África Ocidental, destacando sua área de influência histórica — Foto: Reprodução/Wikipedia

Sua influência alcançou territórios que hoje correspondem à Nigéria, Benim, Togo e Gana.

Com a diáspora africana iniciada a partir do século XVI, grande parte desse legado atravessou o Oceano Atlântico e encontrou na Bahia um espaço de resistência cultural.

Foi justamente nesse território que elementos fundamentais da religiosidade, da língua, da culinária, da música e das tradições ancestrais permaneceram vivos, tornando-se parte da identidade brasileira.

Por isso, a preservação de Oyó não interessa apenas à Nigéria. Ela representa também a valorização das raízes históricas de milhões de afrodescendentes nas Américas.

Patrimônio compartilhado fortalece identidade afro-brasileira

A atual visita do Alaafin reafirma que a preservação da memória histórica depende da cooperação entre governos, universidades, instituições culturais e comunidades tradicionais.

Rei de Oyó visita a Casa de OxumarêSua Majestade Imperial Ọba Akeem Abimbola Owoade I, Alaafin de Oyó, posa ao lado de sua comitiva, do bàbálórìṣà Babá Pecê de Oxumarê e dos filhos e filhas de santo da Casa de Oxumarê durante visita oficial ao terreiro, em Salvador (BA) — Foto: Tacunlecy

Segundo o bàbálórìṣà da Casa de Oxumarê, Sivanilton Encarnação da Mata (Babá Pecê de Oxumarê), proteger Oyó significa preservar parte da própria história da Bahia.

Ele destaca que a cultura iorubá encontrou em solo baiano um ambiente de resistência e continuidade, tornando possível a manutenção de conhecimentos ancestrais transmitidos ao longo de gerações.

Esse entendimento fortalece a ideia de que Bahia e Nigéria compartilham um patrimônio vivo, construído pela ancestralidade, pela espiritualidade e pela atuação permanente das comunidades tradicionais.

"A cultura iorubá chegou à Bahia pelas mãos dos nossos ancestrais e encontrou aqui um território de resistência, preservação e continuidade. Quando iniciamos esse diálogo com Oyó, compreendemos que preservar a antiga capital do Império Iorubá significava também proteger a memória de parte da nossa própria história." — Destacou Babá Pecê.

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Um novo capítulo nas relações entre Brasil e Nigéria

A presença do Alaafin de Oyó na Bahia vai além de uma agenda diplomática.

Ela representa o fortalecimento de uma parceria construída ao longo dos últimos anos por instituições acadêmicas, religiosas e culturais comprometidas com a valorização da história africana.

Ao reunir universidades, lideranças tradicionais, pesquisadores e comunidades de matriz africana, a visita amplia o reconhecimento internacional da importância histórica de Oyó e reafirma o papel da Bahia como uma das maiores guardiãs da cultura iorubá fora do continente africano.

Mais do que celebrar o passado, a cooperação entre Brasil e Nigéria abre caminhos para novas pesquisas, intercâmbios culturais e iniciativas voltadas à preservação de um patrimônio que continua vivo e influencia gerações em ambos os lados do Atlântico.

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