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Santa Sara Kali e o Povo Cigano movimentam celebrações na Umbanda em maio

Alexandro OliverAlexandro Oliver
22 de maio de 2026 às 20:00

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Linha do Oriente: a história espiritual do Povo Cigano
Linha do Oriente: a história espiritual do Povo CiganoReprodução/Canva

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Celebrada nos dias 24 e 25 de maio, Santa Sara Kali reúne fé, prosperidade e tradição cigana dentro da Umbanda brasileira.

A celebração de Santa Sara Kali e do Povo Cigano ganha força em terreiros de Umbanda de todo o Brasil nos dias 24 e 25 de maio, datas consideradas sagradas para a Linha do Oriente. A tradição reúne giras especiais, danças, oferendas, pontos cantados e homenagens às entidades ciganas, conhecidas por trabalhar com prosperidade, abertura de caminhos, cura emocional e proteção espiritual. Embora o Povo Cigano seja considerado uma das linhas mais recentes da Umbanda, sua presença cresceu ao longo do século XX e se consolidou como uma das manifestações espirituais mais populares da religião. Ligados simbolicamente às antigas rotas orientais e ao arquétipo da liberdade, os espíritos ciganos carregam elementos de alegria, movimento, magia natural e resistência cultural. No centro dessa devoção está Santa Sara Kali, considerada a padroeira universal dos ciganos e reverenciada por milhares de fiéis em diferentes partes do mundo.

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A Linha do Oriente é uma das correntes espirituais mais conhecidas dentro da Umbanda. Ela reúne entidades associadas a culturas orientais, incluindo espíritos ligados aos povos árabes, hindus, persas, japoneses e ciganos.

Dentro dessa linha, o Povo Cigano ganhou destaque por representar liberdade, desapego, prosperidade e sabedoria espiritual. Segundo tradições umbandistas, os espíritos ciganos possuem ligação ancestral com o Oriente devido às origens nômades associadas à Índia e às antigas rotas migratórias.

Inicialmente, essas entidades apareciam principalmente em giras de esquerda, ao lado de Exus e Pombagiras Ciganas. Com o passar do tempo, passaram a ocupar espaço próprio na chamada “direita” da Umbanda, atuando como linha auxiliar ou falange independente em muitos terreiros.

As entidades costumam se apresentar de forma alegre e festiva. Saias rodadas, lenços coloridos, joias, perfumes, baralhos e bebidas refinadas fazem parte da identidade simbólica dos trabalhos espirituais ligados ao Povo Cigano.

A saudação “Optchá!”, “Arriba!” ou “Salve o Povo Cigano!” é uma das mais conhecidas nas celebrações.

Como os ciganos trabalham na espiritualidade

Os espíritos ciganos atuam principalmente em questões relacionadas à prosperidade, amor, equilíbrio familiar, abertura de caminhos e cura emocional.

Também são conhecidos pelo uso simbólico de elementos como:

  • Tarô e baralho cigano
  • Cristais e pedras energéticas
  • Incensos e perfumes
  • Danças e músicas vibrantes
  • Velas coloridas e fitas

Na Umbanda, existe uma diferença importante entre a Linha do Oriente e os chamados “Ciganos do Oriente”. Enquanto a Linha do Oriente representa ensinamentos espirituais mais amplos ligados ao desapego e à sabedoria ancestral, o Povo Cigano trabalha especificamente o arquétipo da liberdade, da festa e da magia prática.

Santa Sara Kali: fé, prosperidade e tradição na Umbanda — Foto: Reprodução/Canva

Quem foi Santa Sara Kali

Santa Sara Kali é considerada a protetora universal do povo cigano. Seu nome também aparece como Sara la Kali ou Sara a Negra.

A palavra “Kali” significa “negra”, referência associada tanto à cor da pele quanto à ligação simbólica com transformação espiritual.

Segundo uma das lendas mais populares, Sara teria acolhido Maria Madalena, Maria Salomé e Maria de Cléofas quando elas chegaram de barco ao sul da França após a crucificação de Jesus.

Outra tradição afirma que Sara já era uma sacerdotisa cigana iniciada nos mistérios espirituais antigos e que teria mantido práticas ancestrais ligadas à natureza e aos elementos.

O principal centro de devoção à Santa Sara Kali fica em Saintes-Maries-de-la-Mer, na França, onde milhares de ciganos realizam peregrinações anuais nos dias 24 e 25 de maio.

No Brasil, essas datas foram incorporadas pela Umbanda como momento oficial de celebração do Povo Cigano.

Salve Santa Sara Kali! Arriba o Povo Cigano!

Apesar da forte devoção popular, Santa Sara Kali não faz parte oficialmente do calendário litúrgico da Igreja Católica. Ainda assim, sua imagem se tornou símbolo de proteção para mulheres, famílias, viajantes e pessoas em busca de esperança.

Leia também: Abolição da escravidão: como o Estado criminalizou culturas negras

Oferendas para Santa Sara Kali e o Povo Cigano

As oferendas dedicadas a Santa Sara Kali e ao Povo Cigano são marcadas por cores vivas, aromas intensos, flores e elementos que simbolizam prosperidade, alegria e movimento espiritual. Dentro da tradição umbandista, o mais importante não está no valor material da homenagem, mas na intenção sincera, no capricho e na energia colocada durante o ritual.

Entre os itens mais utilizados estão frutas doces como maçãs, uvas, morangos e peras, além de velas douradas, vermelhas ou coloridas, flores sem espinhos, mel, moedas, cristais e bebidas como vinho doce ou champanhe. A canela, em pau ou em pó, também aparece com frequência por representar prosperidade e abertura de caminhos. Já os incensos de rosas, mirra e sândalo ajudam a criar um ambiente de equilíbrio e conexão espiritual.

Uma das oferendas mais conhecidas para Santa Sara Kali reúne maçãs com mel, sete moedas, sete paus de canela e uma vela dourada. Muitos fiéis ainda montam pequenos altares em casa ou realizam homenagens em jardins, praças e espaços naturais.

As celebrações ganham ainda mais força nos dias 24 e 25 de maio, datas consideradas sagradas para o Povo Cigano dentro da Umbanda. Nesse período, diversos terreiros promovem giras especiais com músicas, danças, pontos cantados e procissões simbólicas voltadas a pedidos de amor, saúde, proteção, prosperidade e cura emocional.

Além do aspecto espiritual, líderes religiosos destacam que a presença cigana na Linha do Oriente representa resistência cultural, liberdade e adaptação histórica. A tradição também reforça a diversidade presente na Umbanda e a valorização de diferentes saberes e manifestações espirituais que fazem parte da formação cultural brasileira.

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