Ana Maria Braga fala sobre Exu e quebra tabu no Mais Você

Durante o “Jogo de Panelas” desta quinta-feira (27), Ana Maria Braga e Vagnão falaram sobre Exú e ajudaram a desconstruir preconceitos históricos contra as religiões de matriz africana.
A presença de Exú no Mais Você chamou a atenção do público nesta quinta-feira (27). Durante o último jantar da temporada do quadro Jogo de Panelas, a apresentadora Ana Maria Braga abriu espaço para uma conversa sobre religiões de matriz africana e intolerância religiosa, após experimentar pratos preparados pelo participante Vagnão, que escolheu o tema “Noite dos Orixás” para a ocasião.
A conversa aconteceu em rede nacional e ganhou repercussão nas redes sociais. Ao comentar a escolha do tema, Ana Maria Braga destacou a importância de esclarecer equívocos históricos sobre Exú, frequentemente associado de forma equivocada à figura do Diabo por parte da sociedade.
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O diálogo foi elogiado por dar visibilidade às tradições de terreiro em um dos programas matinais de maior audiência da televisão brasileira, mostrando que informação e respeito também têm espaço na TV aberta.
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Exu no Mais Você abre debate sobre intolerância religiosa
Durante a conversa com Vagnão, Ana Maria Braga destacou que a participação dele no programa era uma oportunidade para ajudar a esclarecer preconceitos que ainda cercam as religiões de matriz africana.
“Eu acho que vindo aqui, você trazendo esse tema, nos dá a oportunidade, inclusive, de esclarecer porque Exú, tem gente que pensa que é o Diabo, não é o Diabo”, afirmou a apresentadora.
Ana Maria explicou ainda que, no Candomblé e na Umbanda, Exú está relacionado à comunicação, aos caminhos, às escolhas e à troca de energias entre o mundo material e o espiritual. Segundo ela, a associação com o Diabo surgiu a partir do desconhecimento e de preconceitos construídos historicamente.
A fala ganhou destaque justamente por abordar um tema que, durante muito tempo, foi tratado de maneira distorcida nos meios de comunicação. Para o povo de Axé, falar sobre Exu é falar de movimento, ancestralidade e das múltiplas formas de compreender o mundo.
Por que Exu foi associado ao Diabo?
A associação entre Exú e o Diabo não faz parte das tradições africanas que deram origem a religiões como o Candomblé e a Umbanda. Essa interpretação foi construída ao longo da história brasileira a partir de uma visão cristã e colonial sobre manifestações religiosas que não seguiam os padrões europeus.
Exu no Mais Você: debate sobre intolerância ganha espaço na TV — Foto: Reprodução/TV Globo/Mais Você
Durante o programa, Vagnão reforçou esse ponto ao lembrar que símbolos presentes em diferentes culturas foram interpretados de maneiras distintas.
“O Brasil tem que ter um entendimento identitário de que a sua cultura, a sua base é Bantu, é Nagô”, afirmou o participante.
Para ele, reconhecer essa herança é fundamental para transformar a maneira como a sociedade enxerga as religiões de matriz africana e seus símbolos sagrados.
“Exu não é o Diabo. Exu é a comunicação, Exu é o movimento”, afirmou Vagnão durante conversa com Ana Maria Braga.
“Noite dos Orixás” levou comida e ancestralidade ao Jogo de Panelas
O debate aconteceu durante o jantar temático preparado por Vagnão para o encerramento da temporada do Jogo de Panelas. Com o tema “Noite dos Orixás”, o participante levou referências da cultura e da religiosidade afro-brasileira para a mesa.
Além dos pratos, a noite acabou proporcionando uma conversa que foi além da gastronomia. A comida de terreiro, que carrega memórias, técnicas e saberes ancestrais, também se tornou uma porta de entrada para falar sobre identidade e respeito religioso.
A reação de Ana Maria Braga ao experimentar a receita e ouvir as explicações do participante ajudou a ampliar o alcance do assunto para um público diverso.
Em um país onde ainda são registrados casos de racismo religioso e intolerância contra terreiros, momentos como esse têm um significado que vai além do entretenimento.
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Ana Maria Braga é elogiada nas redes sociais
Nas redes sociais, a conversa entre Ana Maria Braga e Vagnão recebeu elogios de pessoas que celebraram o espaço dado às religiões de matriz africana no programa.
Para muitos internautas, ver Exú sendo apresentado a milhões de brasileiros sem caricaturas ou associações preconceituosas representa um avanço importante na disputa por respeito e representação.
A televisão tem um papel significativo na construção do imaginário popular. Por isso, quando um programa de grande alcance abre espaço para contextualizar símbolos religiosos e questionar estigmas, o impacto pode chegar a pessoas que talvez nunca tenham tido contato direto com essas tradições.
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Representatividade também é informação
A discussão sobre a representação das religiões de matriz africana na mídia não é apenas uma questão de visibilidade. Trata-se também do direito à informação correta.
Durante décadas, práticas religiosas afro-brasileiras foram retratadas de forma negativa ou simplesmente ignoradas por parte da mídia. Isso contribuiu para a reprodução de ideias equivocadas que ainda alimentam episódios de preconceito.
Ao abordar o assunto de forma aberta, o Mais Você mostrou que é possível falar sobre diversidade religiosa sem sensacionalismo e com respeito às pessoas que fazem parte dessas tradições.
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Falar sobre Exu é combater o preconceito
A conversa exibida nesta quinta-feira também reforça um ponto importante: combater a intolerância religiosa passa pela informação. Conhecer os significados e as origens das tradições brasileiras é um dos caminhos para desconstruir preconceitos que atravessam gerações.
Desfile da Grande Rio, com enredo Exu — Foto: Divulgação Riotur
Exú ocupa diferentes posições e interpretações dentro das religiões e tradições de matriz africana, mas uma coisa é fundamental: sua compreensão deve partir do conhecimento dessas próprias culturas, e não de comparações impostas por outras crenças.
O diálogo entre Ana Maria Braga e Vagnão transformou um jantar do Jogo de Panelas em um momento de reflexão sobre respeito, identidade e diversidade.
Em uma manhã de quinta-feira, enquanto milhões de brasileiros acompanhavam o programa, Exu foi assunto na televisão aberta — não como caricatura, mas como parte de uma tradição religiosa e cultural que ajudou a formar o Brasil.
E, para quem enfrenta diariamente os efeitos do preconceito religioso, ocupar esse espaço também é uma forma de abrir caminhos.





