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Bets: fim das apostas amplia busca por cuidado em saúde metal

Redação Blé NewsRedação Blé News
28 de setembro de 2026 às 20:00

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Bets: Saúde fará busca ativa de apostadores após o fim das plataformas.
Bets: Saúde fará busca ativa de apostadores após o fim das plataformas.Antônio Cruz/Agência Brasil

Após anúncio do fim das bets, Ministério da Saúde prevê ampliar acompanhamento e atendimento em saúde mental.

O Ministério da Saúde vai ampliar as ações de busca ativa de pessoas com comportamento problemático de jogo após o anúncio da proibição das bets no Brasil. A medida foi anunciada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25), em São Paulo, por meio de uma Medida Provisória que determina o fim da exploração, oferta, intermediação e publicidade das apostas de quota fixa no país. Segundo o ministro Alexandre Padilha, o governo já realiza desde dezembro de 2025 ações para identificar pessoas em situação de risco, utilizando dados compartilhados por órgãos federais. A pasta também pretende utilizar o Meu SUS Digital e o teleatendimento para oferecer acompanhamento em saúde mental a apostadores e familiares que precisarem de apoio.

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Bets e a nova estratégia de busca ativa do Ministério da Saúde

A mudança nas regras das apostas não deve representar apenas uma alteração no funcionamento das plataformas. Para o Ministério da Saúde, o fim das bets também exige uma resposta na área de saúde mental, especialmente entre pessoas que desenvolveram comportamento problemático relacionado ao jogo.

Durante uma coletiva realizada após o anúncio em São Paulo, Alexandre Padilha afirmou que as políticas de busca ativa já estão em andamento desde dezembro de 2025.

De acordo com o ministro, informações compartilhadas pelos ministérios da Fazenda e da Justiça e pela Receita Federal são utilizadas para identificar pessoas que podem precisar de acompanhamento.

Padilha também afirmou que os dados circulam no ambiente Nuvem Brasil, administrado pelo Ministério da Saúde, seguindo regras de proteção de dados e normas de ética profissional.

Ainda não foram divulgados todos os detalhes sobre como será o novo fluxo de atendimento nem uma data específica para a ampliação dessas ações.

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Como deve funcionar o atendimento a apostadores

A estratégia anunciada pelo governo envolve a utilização de canais digitais e da estrutura já existente no Sistema Único de Saúde.

Entre as ferramentas citadas está o Meu SUS Digital, que já oferece recursos de avaliação e encaminhamento relacionados ao uso problemático de apostas. O serviço também permite o acesso a teleatendimentos de saúde mental.

Desde agosto, o Ministério da Saúde informa que o Meu SUS Digital disponibiliza até 100 mil teleatendimentos mensais para pessoas com necessidades relacionadas a jogos e apostas. O serviço também contempla familiares de apostadores.

O atendimento pode funcionar como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial. Dependendo da avaliação, a pessoa pode receber orientação, acompanhamento remoto ou encaminhamento para serviços presenciais.

A rede pública também prevê atendimento inicial nas Unidades Básicas de Saúde e, quando necessário, encaminhamento para os Centros de Atenção Psicossocial, os CAPS.

R$ 38,8 bilhões por ano
É a estimativa do custo social associado aos danos do jogo problemático, segundo estudo citado pelo Ministério da Saúde e elaborado pelo IEPS.

Saúde mental entra no centro do debate sobre as bets

A discussão sobre apostas online deixou de envolver apenas dinheiro, publicidade e funcionamento das plataformas. O impacto sobre a saúde mental passou a integrar a resposta do poder público.

Segundo o Ministério da Saúde, o transtorno do jogo pode estar relacionado a ansiedade, depressão, perda de controle, alterações no sono e no humor, conflitos familiares, isolamento social e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.

A pasta também afirma que os atendimentos relacionados a jogo patológico e problemas com apostas cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025.

O governo projeta ainda aumento da demanda até 2028, reforçando a preocupação com a capacidade da rede pública de acolher pessoas afetadas pelo comportamento de jogo problemático.

Para o IEPS, os impactos econômicos do problema também são relevantes. O instituto estima em pelo menos R$ 38,8 bilhões por ano o custo social relacionado ao jogo problemático.

Dentro desse valor, o estudo estima R$ 17 bilhões associados a mortes por suicídio, além de custos relacionados à depressão, perda de qualidade de vida e tratamentos médicos.

O impacto das apostas vai além do apostador

Outro ponto destacado pelo Ministério da Saúde é que os efeitos do jogo problemático podem atingir familiares e pessoas próximas.

A pasta informa que mulheres que apostam ou já apostaram relataram dificuldades para buscar ajuda, enquanto parte das pessoas que não apostam afirma sofrer impactos provocados pelo comportamento de familiares.

Por isso, os serviços oferecidos pelo SUS não são destinados exclusivamente a quem realiza as apostas. Familiares também podem buscar orientação e atendimento quando houver necessidade.

A estratégia também inclui medidas de prevenção. O Ministério da Saúde mantém orientações para identificar sinais de comportamento problemático, buscar apoio profissional e reduzir danos relacionados às apostas.

Entre as ferramentas disponíveis está a autoexclusão, que permite ao cidadão solicitar voluntariamente o bloqueio de seu acesso às plataformas de apostas autorizadas.

Leia também: Bets: como apostas endividaram e adoeceram o Brasil

O que muda com o fim das bets no Brasil

A Medida Provisória anunciada em 25 de setembro determina o encerramento da exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa no país. A decisão também alcança apostas esportivas e jogos online, inclusive operações autorizadas pelos estados e pelo Distrito Federal. Modalidades lotéricas já autorizadas em lei ficam fora da medida.

O cronograma divulgado pelo Ministério da Saúde prevê que novos aportes nas plataformas sejam interrompidos imediatamente. Os apostadores têm até 5 de outubro para retirar voluntariamente os valores disponíveis.

A partir de 6 de outubro, sites e aplicativos de apostas deverão sair do ar. A devolução dos saldos remanescentes aos apostadores deverá ocorrer por meio das instituições financeiras, seguindo o cronograma estabelecido pelo governo.

Ao mesmo tempo, o governo anunciou medidas para combater plataformas ilegais, incluindo bloqueio de sites, aplicativos e mecanismos de pagamento utilizados por operadores que continuarem oferecendo apostas.

A efetividade dessas medidas, porém, dependerá da fiscalização e da capacidade de impedir a migração dos usuários para plataformas clandestinas.

Enquanto as novas regras avançam, a área da saúde passa a ter outro desafio: identificar quem pode precisar de ajuda e garantir que o atendimento esteja disponível para essas pessoas.

Nesse cenário, o fim das bets não encerra automaticamente os problemas relacionados ao jogo. Para quem já desenvolveu comportamento compulsivo ou enfrenta prejuízos financeiros, emocionais e familiares, a mudança nas plataformas pode ser apenas o começo de uma nova etapa de cuidado.

Com informações da Agência Brasil

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