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Cultivando Baobás celebra a cultura negra e homenageia personalidades em Mairiporã

Redação Blé NewsRedação Blé News
16 de outubro de 2026 às 22:00

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Hélio Santos, Moisés da Rocha e Mãe Juju de Oxum recebem honraria do projeto Cultivando Baobás por suas contribuições à cultura negra.
Hélio Santos, Moisés da Rocha e Mãe Juju de Oxum recebem honraria do projeto Cultivando Baobás por suas contribuições à cultura negra.Reprodução/Arte Equipe Blé News

Hélio Santos, Moisés da Rocha e Mãe Juju de Oxum recebem títulos honoríficos em evento gratuito no dia 18 de outubro.

O intelectual e ativista Hélio Santos, o radialista Moisés da Rocha e a yalorixá Mãe Juju de Oxum serão homenageados no dia 18 de outubro de 2026, durante o Cultivando Baobás, iniciativa que reconhece trajetórias negras ligadas à cultura, à comunicação, à educação e à tradição afro-brasileira. A cerimônia integra o Território Sagrado + Mercado de Exu, realizado no Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá, em Mairiporã, na Grande São Paulo, com entrada gratuita e programação a partir das 8h30.

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Liderado pelo babalorixá, escritor e doutor Rodney William, o encontro também reúne afroempreendedores, atividades literárias, apresentações culturais e ações de promoção da saúde. A proposta é valorizar a memória e a ancestralidade, aproximando diferentes gerações de personalidades e iniciativas que contribuem para a preservação e a circulação dos saberes negros.

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Cultivando Baobás reconhece trajetórias da cultura negra

A homenagem destaca três personalidades cujas histórias representam diferentes formas de produzir, preservar e transmitir conhecimento. Da pesquisa acadêmica à comunicação popular, passando pela tradição religiosa, os homenageados têm trajetórias relacionadas à valorização da população negra e ao enfrentamento do racismo.

Hélio Santos é intelectual, pesquisador, professor e ativista com mais de cinco décadas de dedicação aos estudos sobre a população negra e à luta antirracista. Doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é autor do livro 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo, publicado pela Zahar e pela Companhia das Letras.

Sua atuação contribui para o debate sobre desigualdades raciais, inclusão e os desafios históricos enfrentados pela população negra no Brasil. O reconhecimento de sua trajetória também destaca a importância da pesquisa e da educação na construção de uma sociedade mais justa.

"Céu de Oxóssi", obra monumental do artista Bruno Hatanaka, instalada no teto do barracão do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá."Céu de Oxóssi", obra monumental do artista Bruno Hatanaka, instalada no teto do barracão do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá. — Foto: Rami Chehade

Moisés da Rocha, por sua vez, construiu uma carreira marcada pela comunicação e pela valorização da música brasileira. Radialista, apresentador e produtor, criou em 1977 o programa Samba Pede Passagem, que se tornou uma referência na divulgação do samba e da cultura negra. O nome também foi adotado por sua empresa de produção.

Ao longo de sua trajetória, o comunicador ajudou a ampliar o espaço da música e dos artistas negros nos meios de comunicação, contribuindo para a preservação e a difusão de expressões culturais fundamentais para a identidade brasileira.

A terceira homenageada é Mãe Juju de Oxum, nome religioso de Uvergínia Cerqueira de Amorim dos Santos. Yalorixá do Candomblé e liderança do Ilê Maraqueto Axé Oxum, em São Paulo, ela representa uma linhagem importante da tradição religiosa afro-brasileira.

Filha biológica de Pai Nézinho de Muritiba e filha de santo de Mãe Menininha do Gantois, Mãe Juju mantém uma trajetória vinculada à transmissão dos conhecimentos religiosos, à ancestralidade e à continuidade das tradições do Candomblé.

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O significado do baobá na memória ancestral

O nome Cultivando Baobás faz referência à árvore de grande longevidade, presente em diferentes paisagens africanas e associada simbolicamente à memória, às raízes e à continuidade da vida. A imagem traduz a proposta de reconhecer pessoas que preservam histórias e compartilham conhecimentos capazes de atravessar gerações.

Para Rodney William, homenagear essas personalidades significa reconhecer a importância de suas contribuições no presente e para o futuro.

“São trajetórias que preservam memória, produzem conhecimento e abrem caminhos para as novas gerações. Reconhecer essas histórias é também reconhecer a força da nossa ancestralidade no presente”, afirma o babalorixá.

Mercado de Exu reúne cerca de 30 afroempreendedores

Além das homenagens, o público poderá visitar o Mercado de Exu, feira que reúne cerca de 30 afroempreendedores e oferece produtos ligados à cultura afro-brasileira, à religiosidade e ao cotidiano.

A programação comercial inclui roupas de axé e vestuário civil, bolsas, velas, perfumes, sabonetes, artesanato e outros artigos. A iniciativa busca fortalecer pequenos negócios, ampliar a circulação de renda e criar oportunidades de contato entre produtores e consumidores.

Mercado de Exu reúne cerca de 30 afroempreendedoresCerca de 30 afroempreendedores participam do Mercado de Exu, realizado no espaço do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá. — Foto: Rami Chehade

O Mercado de Exu chega à sua terceira edição em 2026, segundo as informações da organização. A feira surgiu em 2024 e ganhou novas dimensões no ano seguinte, quando integrou a programação de lançamento do Céu de Oxóssi, obra monumental instalada no teto do barracão do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá.

A escolha do nome também dialoga com a dimensão simbólica de Exu no Candomblé. Associado aos caminhos, à comunicação, ao movimento e às trocas, o orixá está relacionado, nesse contexto, à circulação de produtos, histórias e conhecimentos promovida pela feira.

Mais do que um espaço de comercialização, o mercado aproxima iniciativas econômicas e expressões culturais que ajudam a manter vivas as redes de produção e trabalho das comunidades negras.

Literatura, pesquisa e cultura também integram a programação

A agenda inclui o lançamento do livro Putologia Avançada, de Thiagson, nome artístico de Thiago de Souza, marcado para as 13h. A atividade terá prefácio de Diana Mendes e conversa conduzida por Rodney William.

Professor de música, pesquisador do funk na Universidade de São Paulo (USP), compositor, escritor, palestrante e influenciador digital, Thiagson é doutor em Musicologia pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), mestre em Processos e Procedimentos Artísticos e bacharel em Composição pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele também atua como colunista do UOL e desenvolve trabalhos voltados à valorização da produção musical periférica.

A presença do lançamento amplia o espaço dedicado à produção intelectual e artística na programação, conectando pesquisa acadêmica, música e manifestações culturais contemporâneas.

O evento também terá atividades abertas ao público de capoeira e maculelê, expressões que combinam movimento, musicalidade, história e transmissão de conhecimentos afro-brasileiros.

Na sequência, o Projeto Okan Ìgbò apresentará atividades ligadas à dança, aos ritmos e à transmissão de conhecimentos do Candomblé Ketu. A programação prevê ainda apresentação de atabaque e dança dos Orixás.

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Ações de saúde ampliam o cuidado comunitário

O cuidado com a saúde é outro eixo do Território Sagrado. Entre as iniciativas previstas está o Aláfia, voltado à escuta, ao acolhimento e à informação sobre saúde mental.

A atividade será conduzida por integrantes da comunidade religiosa que atuam como psicólogos e psicanalistas, aproximando conhecimento técnico e experiência comunitária.

Também estão previstas ações de prevenção e promoção da saúde, com testagem para HIV, distribuição de preservativos, orientações sobre prevenção e vacinação, entre outras atividades.

Ações de saúde ampliam o cuidado comunitárioAtendimentos de saúde e bem-estar voltados ao cuidado comunitário durante o Cultivando Baobás, em Mairiporã. — Foto: Rami Chehade

A inclusão dessas iniciativas amplia a proposta do encontro, que articula cultura, convivência, informação e bem-estar em um mesmo espaço. Ao oferecer acesso gratuito às atividades, o evento busca aproximar diferentes públicos de ações culturais e de serviços de interesse coletivo.

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Território Sagrado conecta ancestralidade e produção cultural

Ao reunir reconhecimento público, empreendedorismo, literatura, saúde, música e dança, o Território Sagrado + Mercado de Exu apresenta diferentes dimensões da vida comunitária em um terreiro de Candomblé.

A iniciativa combina a valorização de trajetórias históricas com a circulação de conhecimentos e a promoção de atividades produzidas no presente. Nesse sentido, o Cultivando Baobás destaca a importância de reconhecer pessoas que contribuem para a memória coletiva, enquanto a feira e as demais ações abrem espaço para novos encontros e iniciativas.

Com entrada gratuita, a programação acontece em 18 de outubro, no Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá, em Mairiporã, na Grande São Paulo.

Serviço

📅 Data: 18 de outubro de 2026
🕗 Programação: a partir das 8h30
🛒 Mercado de Exu: das 10h às 17h
🏡 Local: Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá
📍   Endereço: Estrada do Luís José, 111 – Mairiporã (SP)
🎟️ Entrada: gratuita

Programação

  • 8h30 às 10h — Cultivando Baobás: homenagem a Mãe Juju de Oxum, Moisés da Rocha e Hélio Santos, com entrega de títulos honoríficos.

  • 10h às 17h — Mercado de Exu: feira com cerca de 30 afroempreendedores.

  • 13h às 14h — Literatura e conhecimento: lançamento de Putologia Avançada, de Thiagson, com prefácio de Diana Mendes e conversa conduzida por Rodney William.

  • 14h às 15h30 — Aláfia: ações de saúde, prevenção e cuidado.

  • 15h30 às 16h30 — Capoeira e Maculelê: atividades culturais abertas ao público.

  • 16h30 às 17h30 — Okan Ìgbò: apresentação cultural com atabaque e dança dos Orixás.