Cultivando Baobás celebra a cultura negra e homenageia personalidades em Mairiporã

Hélio Santos, Moisés da Rocha e Mãe Juju de Oxum recebem títulos honoríficos em evento gratuito no dia 18 de outubro.
O intelectual e ativista Hélio Santos, o radialista Moisés da Rocha e a yalorixá Mãe Juju de Oxum serão homenageados no dia 18 de outubro de 2026, durante o Cultivando Baobás, iniciativa que reconhece trajetórias negras ligadas à cultura, à comunicação, à educação e à tradição afro-brasileira. A cerimônia integra o Território Sagrado + Mercado de Exu, realizado no Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá, em Mairiporã, na Grande São Paulo, com entrada gratuita e programação a partir das 8h30.
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Liderado pelo babalorixá, escritor e doutor Rodney William, o encontro também reúne afroempreendedores, atividades literárias, apresentações culturais e ações de promoção da saúde. A proposta é valorizar a memória e a ancestralidade, aproximando diferentes gerações de personalidades e iniciativas que contribuem para a preservação e a circulação dos saberes negros.
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Cultivando Baobás reconhece trajetórias da cultura negra
A homenagem destaca três personalidades cujas histórias representam diferentes formas de produzir, preservar e transmitir conhecimento. Da pesquisa acadêmica à comunicação popular, passando pela tradição religiosa, os homenageados têm trajetórias relacionadas à valorização da população negra e ao enfrentamento do racismo.
Hélio Santos é intelectual, pesquisador, professor e ativista com mais de cinco décadas de dedicação aos estudos sobre a população negra e à luta antirracista. Doutor em Administração pela Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), é autor do livro 14 de Maio: Lições de Resistência ao Racismo, publicado pela Zahar e pela Companhia das Letras.
Sua atuação contribui para o debate sobre desigualdades raciais, inclusão e os desafios históricos enfrentados pela população negra no Brasil. O reconhecimento de sua trajetória também destaca a importância da pesquisa e da educação na construção de uma sociedade mais justa.
"Céu de Oxóssi", obra monumental do artista Bruno Hatanaka, instalada no teto do barracão do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá. — Foto: Rami Chehade
Moisés da Rocha, por sua vez, construiu uma carreira marcada pela comunicação e pela valorização da música brasileira. Radialista, apresentador e produtor, criou em 1977 o programa Samba Pede Passagem, que se tornou uma referência na divulgação do samba e da cultura negra. O nome também foi adotado por sua empresa de produção.
Ao longo de sua trajetória, o comunicador ajudou a ampliar o espaço da música e dos artistas negros nos meios de comunicação, contribuindo para a preservação e a difusão de expressões culturais fundamentais para a identidade brasileira.
A terceira homenageada é Mãe Juju de Oxum, nome religioso de Uvergínia Cerqueira de Amorim dos Santos. Yalorixá do Candomblé e liderança do Ilê Maraqueto Axé Oxum, em São Paulo, ela representa uma linhagem importante da tradição religiosa afro-brasileira.
Filha biológica de Pai Nézinho de Muritiba e filha de santo de Mãe Menininha do Gantois, Mãe Juju mantém uma trajetória vinculada à transmissão dos conhecimentos religiosos, à ancestralidade e à continuidade das tradições do Candomblé.
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O significado do baobá na memória ancestral
O nome Cultivando Baobás faz referência à árvore de grande longevidade, presente em diferentes paisagens africanas e associada simbolicamente à memória, às raízes e à continuidade da vida. A imagem traduz a proposta de reconhecer pessoas que preservam histórias e compartilham conhecimentos capazes de atravessar gerações.
Para Rodney William, homenagear essas personalidades significa reconhecer a importância de suas contribuições no presente e para o futuro.
“São trajetórias que preservam memória, produzem conhecimento e abrem caminhos para as novas gerações. Reconhecer essas histórias é também reconhecer a força da nossa ancestralidade no presente”, afirma o babalorixá.
Mercado de Exu reúne cerca de 30 afroempreendedores
Além das homenagens, o público poderá visitar o Mercado de Exu, feira que reúne cerca de 30 afroempreendedores e oferece produtos ligados à cultura afro-brasileira, à religiosidade e ao cotidiano.
A programação comercial inclui roupas de axé e vestuário civil, bolsas, velas, perfumes, sabonetes, artesanato e outros artigos. A iniciativa busca fortalecer pequenos negócios, ampliar a circulação de renda e criar oportunidades de contato entre produtores e consumidores.
Cerca de 30 afroempreendedores participam do Mercado de Exu, realizado no espaço do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá. — Foto: Rami Chehade
O Mercado de Exu chega à sua terceira edição em 2026, segundo as informações da organização. A feira surgiu em 2024 e ganhou novas dimensões no ano seguinte, quando integrou a programação de lançamento do Céu de Oxóssi, obra monumental instalada no teto do barracão do Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá.
A escolha do nome também dialoga com a dimensão simbólica de Exu no Candomblé. Associado aos caminhos, à comunicação, ao movimento e às trocas, o orixá está relacionado, nesse contexto, à circulação de produtos, histórias e conhecimentos promovida pela feira.
Mais do que um espaço de comercialização, o mercado aproxima iniciativas econômicas e expressões culturais que ajudam a manter vivas as redes de produção e trabalho das comunidades negras.
Literatura, pesquisa e cultura também integram a programação
A agenda inclui o lançamento do livro Putologia Avançada, de Thiagson, nome artístico de Thiago de Souza, marcado para as 13h. A atividade terá prefácio de Diana Mendes e conversa conduzida por Rodney William.
Professor de música, pesquisador do funk na Universidade de São Paulo (USP), compositor, escritor, palestrante e influenciador digital, Thiagson é doutor em Musicologia pela Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), mestre em Processos e Procedimentos Artísticos e bacharel em Composição pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Ele também atua como colunista do UOL e desenvolve trabalhos voltados à valorização da produção musical periférica.
A presença do lançamento amplia o espaço dedicado à produção intelectual e artística na programação, conectando pesquisa acadêmica, música e manifestações culturais contemporâneas.
O evento também terá atividades abertas ao público de capoeira e maculelê, expressões que combinam movimento, musicalidade, história e transmissão de conhecimentos afro-brasileiros.
Na sequência, o Projeto Okan Ìgbò apresentará atividades ligadas à dança, aos ritmos e à transmissão de conhecimentos do Candomblé Ketu. A programação prevê ainda apresentação de atabaque e dança dos Orixás.
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Ações de saúde ampliam o cuidado comunitário
O cuidado com a saúde é outro eixo do Território Sagrado. Entre as iniciativas previstas está o Aláfia, voltado à escuta, ao acolhimento e à informação sobre saúde mental.
A atividade será conduzida por integrantes da comunidade religiosa que atuam como psicólogos e psicanalistas, aproximando conhecimento técnico e experiência comunitária.
Também estão previstas ações de prevenção e promoção da saúde, com testagem para HIV, distribuição de preservativos, orientações sobre prevenção e vacinação, entre outras atividades.
Atendimentos de saúde e bem-estar voltados ao cuidado comunitário durante o Cultivando Baobás, em Mairiporã. — Foto: Rami Chehade
A inclusão dessas iniciativas amplia a proposta do encontro, que articula cultura, convivência, informação e bem-estar em um mesmo espaço. Ao oferecer acesso gratuito às atividades, o evento busca aproximar diferentes públicos de ações culturais e de serviços de interesse coletivo.
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Território Sagrado conecta ancestralidade e produção cultural
Ao reunir reconhecimento público, empreendedorismo, literatura, saúde, música e dança, o Território Sagrado + Mercado de Exu apresenta diferentes dimensões da vida comunitária em um terreiro de Candomblé.
A iniciativa combina a valorização de trajetórias históricas com a circulação de conhecimentos e a promoção de atividades produzidas no presente. Nesse sentido, o Cultivando Baobás destaca a importância de reconhecer pessoas que contribuem para a memória coletiva, enquanto a feira e as demais ações abrem espaço para novos encontros e iniciativas.
Com entrada gratuita, a programação acontece em 18 de outubro, no Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá, em Mairiporã, na Grande São Paulo.
Serviço
📅 Data: 18 de outubro de 2026
🕗 Programação: a partir das 8h30
🛒 Mercado de Exu: das 10h às 17h
🏡 Local: Ilê Obá Ketu Axé Omi Nlá
📍 Endereço: Estrada do Luís José, 111 – Mairiporã (SP)
🎟️ Entrada: gratuita
Programação
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8h30 às 10h — Cultivando Baobás: homenagem a Mãe Juju de Oxum, Moisés da Rocha e Hélio Santos, com entrega de títulos honoríficos.
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10h às 17h — Mercado de Exu: feira com cerca de 30 afroempreendedores.
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13h às 14h — Literatura e conhecimento: lançamento de Putologia Avançada, de Thiagson, com prefácio de Diana Mendes e conversa conduzida por Rodney William.
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14h às 15h30 — Aláfia: ações de saúde, prevenção e cuidado.
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15h30 às 16h30 — Capoeira e Maculelê: atividades culturais abertas ao público.
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16h30 às 17h30 — Okan Ìgbò: apresentação cultural com atabaque e dança dos Orixás.
Fonte: Assessoria de imprensa
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