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Cultura

Exposição Chão Ancestral resgata 280 anos de luta quilombola

Redação Blé NewsRedação Blé News
03 de julho de 2026 às 15:37· Atualizado em 03/07/2026 às 16:06

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Exposição Chão Ancestral destaca resistência do Quilombo Mesquita em Brasília
Exposição Chão Ancestral destaca resistência do Quilombo Mesquita em BrasíliaFestival Latinidades/Divulgação

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Mostra gratuita na Rodoviária do Plano Piloto reúne 35 fotografias e celebra os 280 anos de resistência do Quilombo Mesquita, em Goiás.

A exposição Chão Ancestral está em cartaz na Rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, reunindo 35 fotografias que retratam a história, a cultura e a resistência do Quilombo Mesquita, localizado na Cidade Ocidental (GO). A mostra integra a programação do Festival Latinidades e celebra os 280 anos da comunidade quilombola, destacando a luta pela titulação definitiva do território e a preservação da ancestralidade. As imagens foram produzidas pelos fotógrafos Walisson Braga, Luiz Alves e Webert da Cruz, que registram o cotidiano das famílias, a força das mulheres quilombolas e a relação do povo com o Cerrado. A exposição também chama atenção para os desafios enfrentados pela comunidade, que aguarda a conclusão da demarcação oficial de suas terras.

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Exposição Chão Ancestral leva resistência quilombola a Brasília

Exposição Chão Ancestral destaca resistência quilombola em Brasília

O estudante de Comunicação Visual Walisson Braga transformou sua paixão pela fotografia em uma ferramenta de preservação da memória coletiva do Quilombo Mesquita.

Nascido e criado na comunidade, localizada na Cidade Ocidental (GO), ele começou ainda adolescente a registrar familiares, moradores e manifestações culturais do território.

Hoje, aos 29 anos, suas fotografias ocupam um dos espaços de maior circulação do Distrito Federal: a Rodoviária do Plano Piloto.

A escolha do local tem um significado especial.

Todos os dias, Walisson atravessa a rodoviária para chegar à universidade. Agora, além de fazer parte da rotina, o espaço também abriga parte da história do seu povo.

"Passo pela rodoviária todos os dias. Agora, estão com fotos minhas. Espero que mais gente conheça a história do meu povo", afirma o fotógrafo.

A mostra apresenta 35 imagens produzidas por Walisson Braga ao lado dos fotógrafos Luiz Alves e Webert da Cruz.

As fotografias revelam tradições, celebrações, modos de vida e a permanente luta pelo reconhecimento territorial da comunidade quilombola.

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Quilombo Mesquita preserva ancestralidade e luta pela titulação

Fundado há aproximadamente 280 anos, o Quilombo Mesquita é uma das comunidades tradicionais mais importantes do Centro-Oeste brasileiro.

A exposição presta homenagem principalmente às mulheres que mantêm vivos os conhecimentos ancestrais transmitidos entre gerações.

Exposição Chão Ancestral leva resistência quilombola a BrasíliaMostra Chão Ancestral, na Rodoviária do Plano Piloto — Foto: Festival Latinidades/Divulgação

Entre elas está Elpídia Pereira, avó de Walisson Braga e considerada uma das matriarcas da comunidade.

Segundo o fotógrafo, essas mulheres são responsáveis por preservar saberes fundamentais para a identidade quilombola.

"Devemos proteger essa herança ancestral que sustenta nosso modo de vida."

Hoje, cerca de 785 famílias vivem no território, somando mais de três mil moradores que preservam costumes, manifestações culturais e práticas sustentáveis no Cerrado.

Além da riqueza cultural, o território também representa uma importante área de conservação ambiental.

Em dezembro do ano passado, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) reconheceu oficialmente uma área de aproximadamente 4,1 mil hectares para a comunidade — cerca de 80% maior que a atualmente ocupada.

A expectativa é que a titulação definitiva aconteça até o fim deste ano.

"O reconhecimento do território representa um passo importante para garantir os direitos históricos da comunidade quilombola."

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Resistência quilombola enfrenta disputas por território

Enquanto a regularização fundiária não é concluída, lideranças afirmam que o território permanece vulnerável à ocupação irregular.

Segundo Sandra Braga, liderança comunitária, a ausência da titulação favorece o avanço de fazendeiros sobre áreas tradicionalmente pertencentes ao quilombo.

Além da defesa da terra, a comunidade preserva símbolos históricos de sua identidade.

Um dos principais é o cultivo do marmelo, fruta utilizada na produção de doces, geleias e marmeladas que fazem parte da tradição das famílias há gerações.

Mais do que um alimento, o marmelo representa pertencimento, memória e continuidade cultural.

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Festival Latinidades amplia debate sobre cultura e saúde mental

A exposição integra a programação do Festival Latinidades, considerado o maior festival de mulheres negras da América Latina.

Nesta edição, além das atividades culturais, o evento promove debates sobre saúde mental, arte, memória e fortalecimento das populações negras.

Exposição Chão Ancestral reúne 35 fotos sobre luta quilombolaLinn da Quebrada e Karol Conká e a escritora Ana Maria Gonçalves — Foto: Reprodução

A programação inclui apresentações culturais, rodas de conversa e encontros com importantes nomes da cultura brasileira.

Entre os destaques estão discussões com artistas como Linn da Quebrada e Karol Conká, além do lançamento do programa Descansa Nêga, iniciativa voltada ao cuidado, descanso e fortalecimento das mulheres negras.

O encerramento acontece com uma palestra da escritora Ana Maria Gonçalves, autora do premiado romance Um Defeito de Cor e primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras.

Ao reunir fotografia, memória e ancestralidade, a exposição Chão Ancestral reforça que preservar a história também é uma forma de garantir direitos e fortalecer a identidade das futuras gerações.

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