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Mulher é presa por racismo religioso após ataque a terreiro em Salvador

Redação Blé NewsRedação Blé News
08 de julho de 2026 às 14:52

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Mulher é presa por racismo religioso após pichar terreiro de Candomblé em Salvador
Mulher é presa por racismo religioso após pichar terreiro de Candomblé em SalvadorReprodução/Redes Sociais

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Suspeita foi identificada após investigação com imagens e provas coletadas pela Polícia Civil. Ataque aconteceu em janeiro e chocou a comunidade religiosa.

A Polícia Civil da Bahia prendeu, na última segunda-feira (6), uma mulher de 45 anos suspeita de cometer racismo religioso e dano qualificado após pichar o terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, em Cajazeiras XI, Salvador. O ataque ocorreu em 17 de janeiro deste ano, quando a fachada, o portão de entrada e outros pontos do espaço religioso foram cobertos com tinta vermelha com as palavras "assassinos" e "Jesus". A suspeita foi localizada no bairro da Pituba após uma investigação da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), que reuniu imagens de videomonitoramento e outras provas para identificar a autora do crime. Durante a operação, os policiais também apreenderam dois celulares, agendas e um notebook. Após os procedimentos legais, a mulher permaneceu à disposição da Justiça. Assista ao vídeo do ataque no final desta matéria.

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Mulher presa por ataque a terreiro de Candomblé em Salvador

Mulher presa por ataque a terreiro de Candomblé

A prisão representa um avanço nas investigações de um caso que mobilizou lideranças religiosas e organizações de defesa da liberdade de crença na Bahia.

Segundo a Polícia Civil, o trabalho investigativo reuniu imagens de câmeras de segurança e outros elementos que permitiram identificar a autora do ataque. Com base nas provas, a Justiça autorizou o mandado de prisão e também um mandado de busca e apreensão.

Durante o cumprimento das medidas judiciais foram apreendidos dois celulares, agendas e um notebook, materiais que poderão contribuir para o andamento das investigações.

A suspeita responderá pelos crimes de racismo religioso e dano qualificado.

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Ataque ao terreiro aconteceu em janeiro

O alvo da ação criminosa foi o terreiro Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, que atua há 33 anos em Cajazeiras XI, em Salvador.

Na manhã de 17 de janeiro, uma filha de santo chegou ao local por volta das 7 horas e encontrou diversas pichações feitas com tinta vermelha.

Ataque contra terreiro de Candomblé termina com prisão em Salvador.

Ataque contra terreiro de Candomblé termina com prisão em Salvador — Foto: Reprodução

Além da fachada principal, também foram atingidos o portão de pedestres, o interfone e a caixa de correio.

As inscrições continham as palavras "assassinos" e "Jesus", o que levou o caso a ser investigado como possível prática de racismo religioso.

"O terreiro atua há 33 anos e, segundo o babalorixá Pai Mutá, nunca havia sofrido um ataque desse tipo."

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Investigação sobre racismo religioso reuniu imagens e provas

A investigação ficou sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa (DECRIN), vinculada ao Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Pessoas Vulneráveis (DPMCV).

De acordo com a Polícia Civil, a identificação da suspeita foi possível graças ao cruzamento de imagens de videomonitoramento e à coleta de outros elementos de prova.

Esse conjunto de informações fundamentou o pedido das medidas cautelares autorizadas pela Justiça.

Após ser localizada no bairro da Pituba, a mulher foi presa e encaminhada para os procedimentos legais, permanecendo à disposição do Poder Judiciário.

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Intolerância religiosa segue em alta e atinge principalmente religiões de matriz africana

A prisão da suspeita de pichar um terreiro de Candomblé em Salvador volta a chamar atenção para um problema que ainda persiste em todo o país: a intolerância religiosa. Os casos têm atingido, de forma recorrente, comunidades de matriz africana, que seguem entre os principais alvos de ataques, discriminação e violência motivados por preconceito religioso.

Dados do Disque Direitos Humanos (Disque 100), do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, revelam que 2.774 denúncias de intolerância religiosa foram registradas entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026 em todo o Brasil. O número mantém a tendência de crescimento observada nos últimos anos. Em 2024, o canal contabilizou 2.472 violações, enquanto apenas nos primeiros dias de 2026 já haviam sido registradas 51 denúncias.

Os dados também mostram que as religiões de matriz africana continuam entre as mais afetadas. No período analisado, a Umbanda apareceu em 228 denúncias, seguida pelo Candomblé, com 161 registros. Outros 47 casos envolveram referências simultâneas às duas religiões, enquanto 40 denúncias citaram outras tradições afro-brasileiras.

Especialistas ressaltam que atos de intolerância religiosa configuram crime e representam uma violação ao direito fundamental de liberdade de crença, garantido pela Constituição Federal. Além dos prejuízos materiais causados por ataques a templos e espaços sagrados, essas ações afetam comunidades inteiras e reforçam práticas de racismo religioso historicamente direcionadas aos povos de terreiro.

Mais do que locais de culto, muitos terreiros desempenham um importante papel social, oferecendo atividades culturais, ações educativas, acolhimento e projetos voltados às comunidades onde estão inseridos. No caso do Nzo Mutá Lombô Ye Kayongo Toma Kwiza, o babalorixá Pai Mutá afirmou que, em 33 anos de funcionamento, a casa nunca havia sofrido um ataque semelhante e sempre manteve uma relação respeitosa com os moradores da região.

Nesse contexto, o avanço das investigações e a prisão da suspeita são considerados um passo importante no combate ao racismo religioso, reforçando a necessidade de responsabilização dos autores e de políticas públicas que garantam a proteção da liberdade religiosa e das comunidades tradicionais de matriz africana.

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