Terreiro Tuntun Olukotun rebate informação sobre sua história

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Comunidade de Itaparica afirma que permanece em atividade desde 1850, contesta informação publicada pela EDUFBA e reforça reconhecimento oficial como Patrimônio Cultural da Bahia.
O Terreiro Tuntun Olukotun, localizado em Itaparica, na Bahia, divulgou no último domingo (12) uma nota pública em suas redes sociais na qual manifesta indignação e solicita uma retratação da Editora da Universidade Federal da Bahia (EDUFBA). O posicionamento é uma resposta a uma entrevista publicada em 9 de julho de 2020 com o arquiteto, professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fábio Macêdo Velame. Segundo a comunidade religiosa, a publicação traz uma informação incorreta ao afirmar que o Terreiro Tuntun "não existe mais". Em nota, a instituição afirma que permanece em atividade desde sua fundação, em 1850, preservando o Culto Lesse Egun e mantendo viva uma tradição considerada a mais antiga em funcionamento no Brasil dedicada ao culto aos ancestrais. Em 2022, o terreiro foi reconhecido pelo Governo da Bahia como Patrimônio Cultural Material do Estado, fato que reforça oficialmente sua continuidade histórica e sua relevância para a preservação da memória afro-brasileira.
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Terreiro Tuntun Olukotun contesta publicação da EDUFBA
A nota pública foi divulgada após a comunidade identificar uma informação considerada equivocada em entrevista publicada pela EDUFBA com o professor Fábio Macêdo Velame.
Na entrevista, o pesquisador apresenta sua trajetória acadêmica, sua atuação na preservação do patrimônio afro-brasileiro e suas pesquisas sobre arquitetura de terreiros de candomblé e de culto aos Eguns.
Ao contextualizar a história dos antigos templos dedicados aos ancestrais na Bahia, o pesquisador afirma que diversos terreiros fundados no século XIX "não existem mais", incluindo o Terreiro do Tuntum.
Entrevista publicada em 9 de julho de 2020 com o arquiteto, professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Fábio Macêdo Velame — Foto: Reprodução/Site edufba.ufba
A declaração motivou a manifestação pública da comunidade religiosa.
Segundo o documento divulgado pelo Terreiro Tuntun Olukotun, a casa jamais encerrou suas atividades e continua preservando seus fundamentos religiosos, seus assentamentos seculares e a tradição transmitida entre gerações.
Para os dirigentes, afirmar que o terreiro deixou de existir representa uma distorção de sua história e da memória construída ao longo de aproximadamente 176 anos.
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Comunidade reafirma continuidade histórica do Terreiro Tuntun Olukotun
Na nota pública, os responsáveis pelo terreiro ressaltam que preservar sua história significa preservar também a memória do Culto Lesse Egun no Brasil.
Segundo a comunidade, o Terreiro Tuntun Olukotun foi fundado em 1850 pelo saudoso Ojé Marcos Theodoro Pimentel, conhecido como Babá Soadê.
Desde então, o espaço mantém preservados assentamentos considerados seculares, que, de acordo com a nota, jamais foram removidos, substituídos ou desativados.
O documento afirma ainda que sua continuidade foi construída por meio da transmissão oral, dos rituais e da vivência religiosa de diferentes gerações.
A comunidade destaca que defender sua permanência é também honrar a memória daqueles que contribuíram para fortalecer o culto aos ancestrais na Ilha de Itaparica e em todo o país.
Comunidade pede retratação oficial
Além de contestar a informação divulgada, o terreiro solicita uma retratação pública dos responsáveis pela publicação.
Segundo a nota, qualquer narrativa que negue sua existência ou continuidade histórica compromete a preservação da memória afro-brasileira e desconsidera décadas de resistência religiosa.
Os dirigentes reforçam que continuarão defendendo sua história e reafirmando seu protagonismo dentro do Culto Lesse Egun.
Leia também: Mulher é presa por racismo religioso após ataque a terreiro em Salvador
Tombamento reforça reconhecimento oficial da história do terreiro
Em 7 de dezembro de 2022, o então governador Rui Costa homologou o tombamento do Terreiro Tuntun Olukotun como Patrimônio Cultural Material do Estado da Bahia.
Terreiro Tuntun Olukotun cobra retratação após publicação da EDUFBA — Foto: Divulgação/IPAC
O processo foi conduzido pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), vinculado à Secretaria de Cultura da Bahia.
Após estudos técnicos, o material foi analisado pelo Conselho Estadual de Cultura antes de seguir para homologação do Governo do Estado.
Na ocasião, o próprio Estado reconheceu oficialmente que o Terreiro Tuntun Olukotun abriga o mais antigo culto aos Eguns em atividade no Brasil.
Além do reconhecimento patrimonial, o Ipac anunciou investimento de aproximadamente R$ 100 mil para elaboração do projeto de restauração arquitetônica da casa religiosa.
Para a comunidade, esse reconhecimento institucional reforça a legitimidade de sua trajetória e demonstra que sua história permanece oficialmente registrada pelos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio cultural baiano.
Entrevista aborda patrimônio afro-brasileiro e culto aos Eguns
A entrevista publicada pela EDUFBA apresenta a trajetória profissional de Fábio Macêdo Velame e reúne décadas de pesquisas sobre arquitetura afro-brasileira, patrimônio cultural e comunidades tradicionais.
Grande parte da conversa é dedicada ao Omo Ilê Agboulá, templo localizado em Ponta de Areia, na Ilha de Itaparica, considerado referência nacional no culto aos Egungun.
Durante a contextualização histórica sobre os antigos terreiros dedicados ao culto aos ancestrais, foi feita a afirmação posteriormente contestada pelo Terreiro Tuntun Olukotun.
Até a publicação desta reportagem, não havia sido localizada manifestação pública da EDUFBA ou do pesquisador respondendo especificamente ao pedido de retratação apresentado pela comunidade.
Caso haja posicionamento oficial, esta matéria poderá ser atualizada.
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Debate evidencia importância da preservação da memória afro-brasileira
O episódio também chama atenção para a importância do registro histórico das religiões de matriz africana.
Os terreiros representam espaços fundamentais para preservação da ancestralidade, da oralidade, dos saberes tradicionais e da identidade cultural de inúmeras comunidades brasileiras.
Ao mesmo tempo, pesquisas acadêmicas desempenham papel importante na documentação desse patrimônio, ampliando o conhecimento sobre sua história e sua contribuição para a sociedade.
Quando surgem interpretações divergentes entre estudos acadêmicos e comunidades tradicionais, o diálogo torna-se essencial para garantir que diferentes perspectivas sejam conhecidas, analisadas e registradas com responsabilidade.
No caso do Terreiro Tuntun Olukotun, a nota pública busca reafirmar sua continuidade histórica, preservar sua memória institucional e solicitar a revisão da informação publicada na entrevista.
📌 "O Tuntun Olukotun foi fundado em 1850 e está há aproximadamente 176 anos em exercício, fortalecendo e preservando o Culto Lesse Egun."
— Trecho da nota pública divulgada pelo Terreiro Tuntun Olukotun.
| NOTA PÚBLICA Itaparica-BA, 12 de julho de 2026, Em resposta a afirmações inverídicas veiculadas por membros da UFBA e publicadas no sito da EDUFBA (https://edufba.ufba.br/dialogos/fabio-macedo-velame), o Terreiro Tuntun Olukotun vem aqui externar sua indignação e pede retratação dos responsáveis que afirmaram que o Tuntun não existe mais. O Tuntun Olukotun foi fundado em 1850 e está há aproximadamente 176 anos em exercício, fortalecendo e preservando o Culto Lesse Egun, sendo o espaço mais antigo em atividade no Brasil em louvores aos ancestrais. Ele vem aqui reafirmar seu protagonismo, inclusive repudiando com veemência qualquer ação ou intuito que busque deturpar sua história. Fundado pelo saudoso Ojé, Marcos Theodoro Pimentel, hoje Babá Soadê, o Terreiro Tuntum Olukotun abriga assentamentos seculares, os quais jamais foram remanejados, desativados ou substituídos. Destacar nossa história é resistir e assegurar nossa continuidade, preservando saberes e legados ancestrais, transmitidos de gerações em gerações através de vivências no Terreiro e na oralidade. Defender a manutenção do Terreiro Tuntum Olukotun, a verdade sobre nossa história, é também respeitar as memórias e trajetórias daqueles e daquelas que nos antecederam, marcando com suas atuações as lutas em favor da defesa, valorização e preservação do Culto Lesse Egun no Brasil, em especial na Ilha de Itaparica -BA. Seguimos firmes e fortes, com o respaldo de toda a nossa ancestralidade, dirigida por nosso patrono, Babá Olukotun, Olorí Egun, Á DIREÇÃO |
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