Festa de Iemanjá celebra 73ª edição em BH neste sábado

Carreata sai do Centro às 16h30 e segue para a Pampulha, onde terreiros celebram Iemanjá a partir das 19h.
Belo Horizonte (MG) recebe neste sábado, 15 de agosto, a 73ª edição da Festa de Iemanjá, uma das celebrações mais tradicionais das religiões de matriz africana na capital mineira. Organizado pela Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), em parceria com a Reunião Umbandista Mineira (RUM) e o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-brasileira (CENARAB), o evento começa às 14h, com concentração na Rua Aarão Reis, e terá uma carreata até a Praça de Iemanjá, na Pampulha. A programação inclui concentração dos terreiros, consagração de barcos, entrega de flores e presentes à divindade e trabalhos religiosos a partir das 20h. Além da dimensão espiritual, a festa reafirma a presença das tradições de Umbanda e Candomblé no espaço público e funciona como ato de resistência cultural diante da intolerância religiosa.
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Festa de Iemanjá movimenta Belo Horizonte neste sábado
A capital mineira terá um sábado marcado por fé, tradição e ocupação do espaço público. A Festa de Iemanjá em Belo Horizonte reúne terreiros de Umbanda e Candomblé em uma programação que começa no Centro e termina na Pampulha.
A concentração inicial está marcada para as 14h, na Rua Aarão Reis, entre as ruas Guaicurus e o Viaduto da Floresta, atrás do Centro de Referência da Juventude (CRJ).
Às 16h30, os participantes seguem em carreata em direção à Praça de Iemanjá. A chegada está prevista para as 17h30.
O evento é organizado pela CCPJO, com parceria da RUM e do CENARAB, e conta com apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Fundação Municipal de Cultura.
Mais do que uma celebração religiosa, a programação ocupa um espaço simbólico da cidade e coloca em evidência a contribuição das religiões de matriz africana para a formação cultural de Belo Horizonte.
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Festa de Iemanjá terá programação na Pampulha
Após a chegada da carreata, a programação segue com a participação dos terreiros e momentos específicos de celebração.
Às 19h, começa a Concentração dos Terreiros. Meia hora depois, às 19h30, ocorre a solenidade de abertura, com a consagração dos barcos e a entrega de flores e presentes para Iemanjá.
Festa de Iemanjá em Belo Horizonte — Foto: Patrick Arley
Às 20h, os terreiros participantes iniciam seus trabalhos.
A programação mantém uma tradição que ultrapassa a dimensão religiosa e também representa um momento de encontro entre diferentes comunidades de terreiro da capital.
Carreata e celebração reforçam tradição afro-brasileira
Para Pai Ricardo de Moura, coordenador da CCPJO, a ocupação da Praça de Iemanjá tem importância que vai além da festividade.
Segundo ele, a presença pública dos terreiros ajuda a dar visibilidade às religiões de matriz africana e evidencia a contribuição dessas tradições para a identidade cultural de Belo Horizonte.
A festa também ocorre em um contexto de enfrentamento à intolerância religiosa. Para os organizadores, reunir diferentes comunidades em um espaço público é uma forma de reafirmar o direito à liberdade religiosa e ao uso de símbolos ligados às tradições de terreiro.
Em uma cidade marcada pela diversidade cultural, a celebração transforma a Pampulha em ponto de encontro entre memória, fé e resistência.
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73ª edição homenageia Tat’etu Nepanji
A edição deste ano também terá um significado especial para os organizadores. A celebração será marcada pela passagem ao Orum de Tat’etu Nepanji, Nelson Matheus Nogueira, apontado como um dos fundadores da festa e uma referência para a tradição religiosa.
De acordo com Pai Ricardo, as atividades deste ano também buscam preservar a memória e o legado deixado por ele.
A homenagem acrescenta à programação uma dimensão de ancestralidade. Nas tradições de matriz africana, a memória dos mais velhos e daqueles que fizeram parte da construção das comunidades possui papel central na continuidade dos saberes.
Por isso, a celebração de Iemanjá neste sábado combina festa, religiosidade e lembrança de pessoas que ajudaram a construir a história do povo de terreiro em Belo Horizonte.
Uma festa com história desde 1953
Realizada anualmente desde 1953, a Festa de Iemanjá se tornou parte da paisagem cultural de Belo Horizonte. Ao longo das décadas, a presença de adeptos da Umbanda e do Candomblé na Pampulha ajudou a atribuir novos sentidos ao espaço urbano.
A celebração também representa uma forma de apropriação plural do espaço público, permitindo que diferentes grupos religiosos expressem suas tradições em uma área de grande importância para a cidade.
Festa de Iemanjá em BH terá carreata e celebração na Pampulha — Foto: Patrick Arley
Desde 2013, a CCPJO assumiu a organização do evento.
Outro marco importante veio em 2019, quando a celebração passou a integrar o registro imaterial do Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.
Com isso, a Festa de Iemanjá, ao lado da Festa dos Pretos Velhos, passou a ser reconhecida oficialmente como Patrimônio Cultural da Cidade.
O reconhecimento reforça a importância da preservação da festa e de sua continuidade histórica, além de destacar a contribuição das religiões de matriz africana para a cultura belo-horizontina.
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Solidariedade também faz parte da celebração
A programação deste ano terá ainda uma ação de solidariedade. O público poderá contribuir com alimentos não perecíveis, fraldas descartáveis infantis ou geriátricas.
As doações serão destinadas a instituições de caridade, como asilos e creches de Belo Horizonte.
Como forma de agradecimento, quem realizar uma doação receberá um ojá, indumentária relacionada à proteção do ori, a cabeça, e associada a aspectos como destino e intuição dentro das tradições de matriz africana.
A iniciativa aproxima a celebração religiosa de uma ação comunitária e reforça uma característica destacada pelos organizadores: a importância da solidariedade e do cuidado coletivo.
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Por que a Festa de Iemanjá é importante para BH?
A celebração de Iemanjá se consolidou como uma manifestação religiosa e cultural de grande relevância para Belo Horizonte. A presença de terreiros na Pampulha ajuda a tornar visível uma parcela importante da diversidade religiosa da cidade.
Para os organizadores, a festa também é uma resposta às situações de intolerância religiosa que ainda atingem comunidades de terreiro.
A programação deste ano defende, entre outros pontos, políticas públicas voltadas à segurança para a prática religiosa, o direito de circular com símbolos de fé e o respeito às crianças e instituições das religiões de matriz africana.
Nesse sentido, a carreata e a celebração na Praça de Iemanjá não são apenas etapas de uma festa tradicional. São também momentos de afirmação de identidade, memória e pertencimento.
Ao chegar à Pampulha, os terreiros levam consigo uma tradição que atravessa gerações e permanece ocupando a cidade.
Serviço:
📅 Data: 15 de agosto, sábado
🕐 14h: Concentração na Rua Aarão Reis, entre Guaicurus e Viaduto da Floresta, atrás do CRJ
🕐 16h30: Carreata em direção à Praça de Iemanjá, na Pampulha
🕐 17h30: Chegada da carreata
🕐 19h: Concentração dos Terreiros
🕐 19h30: Solenidade de abertura, consagração dos barcos e entrega de flores e presentes para Iemanjá
🕐 20h: Início dos trabalhos de cada terreiro
🥘 Doações: alimentos não perecíveis e fraldas infantis ou geriátricas
Fonte: Assessoria de Imprensa





