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MPF abre investigação contra prefeito após vídeo polêmico

Redação Blé NewsRedação Blé News
01 de agosto de 2026 às 01:11· Atualizado em 01/08/2026 às 01:13

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MPF investiga prefeito de Parauapebas por suspeita de racismo religioso após vídeo com oferenda
MPF investiga prefeito de Parauapebas por suspeita de racismo religioso após vídeo com oferendaReprodução/Redes Sociais

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Investigação foi aberta após prefeito de Parauapebas publicar vídeo chutando uma oferenda e fazendo ofensas contra religiões de matriz africana.

O Ministério Público Federal (MPF) instaurou investigações nas esferas cível e criminal para apurar a conduta do prefeito de Parauapebas (PA), Aurélio Ramos de Oliveira Neto, conhecido como Aurélio Goiano (Avante), por suspeita de racismo religioso. A medida foi tomada após a divulgação, na quarta-feira (29), de um vídeo em que o prefeito aparece chutando uma oferenda deixada em uma via pública enquanto faz declarações ofensivas contra religiões de matriz africana. Segundo o MPF, as imagens podem indicar violação ao direito constitucional à liberdade religiosa e enquadramento na Lei do Racismo. Até a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Parauapebas não havia se manifestado sobre a investigação.

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MPF investiga suspeita de racismo religioso

O caso ganhou repercussão nacional após a publicação do vídeo nas redes sociais do prefeito.

Nas imagens, Aurélio Goiano aparece chutando alimentos e bebidas utilizados em um ritual religioso enquanto afirma:

"Que toda obra de feitiçaria, de safadeza, de macumbaria, cai por terra em nome de Jesus."

Segundo o Ministério Público Federal, a conduta pode representar discriminação contra praticantes das religiões de matriz africana, além de afrontar o direito fundamental à liberdade de crença garantido pela Constituição Federal.

A investigação busca verificar se houve violação da legislação brasileira que protege grupos religiosos contra atos discriminatórios.

📌 O MPF abriu investigações nas áreas cível e criminal para apurar possível prática de racismo religioso.

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O que diz o MPF sobre o caso

Na decisão que determinou a abertura da investigação, o MPF ressalta que agentes públicos possuem grande influência social e institucional.

Segundo o órgão, manifestações públicas de autoridades podem ampliar situações de preconceito e incentivar práticas discriminatórias contra comunidades religiosas.

Além disso, o Ministério Público destaca que o Supremo Tribunal Federal (STF) já reconheceu que objetos, alimentos, bebidas e demais elementos utilizados nos rituais das religiões de matriz africana fazem parte do exercício legítimo da liberdade religiosa e são protegidos pela legislação brasileira.

O órgão também cita normas nacionais e internacionais, entre elas:

  • Constituição Federal;
  • Lei do Racismo;
  • Convenção Interamericana contra o Racismo;
  • Política Nacional para Povos e Comunidades Tradicionais de Terreiro e de Matriz Africana.

Esses instrumentos garantem proteção ao livre exercício da fé e proíbem qualquer forma de discriminação motivada pela religião.

Leia também: Livro sobre o Mapeamento dos Terreiros de Candomblé será lançado em Campinas

Histórico de declarações contra religiões de matriz africana

Esta não é a primeira vez que Aurélio Goiano protagoniza declarações envolvendo intolerância religiosa.

Prefeito de Parauapebas (PA), Aurélio Goiano (Avante)Prefeito de Parauapebas (PA), Aurélio Goiano (Avante) — Foto: Reprodução

Em junho deste ano, durante uma sessão comemorativa pelo Dia Municipal do Evangélico, o prefeito afirmou que seguidores das religiões de matriz africana seriam recebidos na prefeitura por um pastor, que lhes diria:

"Jesus salva, Jesus cura e se liga para você não ir para o inferno."

As declarações geraram forte repercussão.

Na ocasião, entidades representativas das religiões de matriz africana, parlamentares e a Câmara Municipal de Parauapebas divulgaram notas públicas de repúdio e solicitaram uma retratação oficial.

O episódio voltou a ser lembrado após a divulgação do novo vídeo.

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Como a legislação brasileira trata o racismo religioso

O Brasil assegura, por meio da Constituição Federal, a liberdade de consciência, crença e culto religioso.

Além disso, decisões recentes do STF consolidaram o entendimento de que práticas religiosas de matriz africana possuem proteção constitucional e não podem ser alvo de discriminação ou violência.

Especialistas apontam que ataques a símbolos, templos, objetos litúrgicos ou rituais dessas tradições podem configurar racismo religioso, expressão utilizada para caracterizar manifestações discriminatórias dirigidas principalmente às religiões afro-brasileiras.

Nos últimos anos, órgãos públicos têm ampliado ações de combate à intolerância religiosa e reforçado políticas de proteção às comunidades tradicionais de terreiro.

A investigação conduzida pelo MPF deverá analisar se a conduta do prefeito caracteriza violação da legislação vigente e quais medidas poderão ser adotadas ao final da apuração.

Até o fechamento desta reportagem, a Prefeitura de Parauapebas ainda não havia divulgado posicionamento oficial sobre a investigação.

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